No âmbito de uma minicúpula climática na sede das Nações Unidas, o presidente chinês Xi Jinping anunciou —por meio de uma mensagem gravada— que a China reduzirá suas emissões entre 7% e 10% até 2035, uma medida que representa seu primeiro compromisso concreto no âmbito do Acordo de Paris.
Além disso, comprometeu-se a que pelo menos 30% de sua matriz energética provenha de fontes não fósseis, fortalecendo o desenvolvimento de tecnologias solares e eólicas.
Reações mistas: avanços insuficientes, mas sinais encorajadores
Especialistas valorizam o gesto, embora alertem que não é suficiente para manter o aquecimento dentro dos limites seguros.
O anúncio foi recebido com expectativa e cautela. Para Yao Zhe, da Greenpeace, a meta ainda “é insuficiente“, embora confie que a descarbonização real ultrapassará o prometido no papel.
Por sua vez, Ramón Méndez Galain, presidente da REN21, destacou que a China tem a oportunidade de transformar sua liderança renovável em liderança climática.

Guterres: a ação climática é uma obrigação e uma oportunidade
O secretário-geral das Nações Unidas defende as energias renováveis como motor de emprego, crescimento e soberania energética
Em seu discurso, António Guterres destacou que a ciência e a economia exigem ação climática urgente. Lembrou que em 2024, o investimento em energias limpas dobrou em relação ao destinado a combustíveis fósseis, e que as renováveis permitem afastar-se de mercados voláteis, oferecendo segurança energética. “O limpo é competitivo e a ação climática é imperativa“, afirmou.
Europa: liderança climática em tensão
A União Europeia, historicamente líder na luta climática, chegou à cúpula com uma declaração não vinculativa que propõe reduzir entre 66,3% e 72,5% suas emissões até 2035, embora sem acordo definitivo.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, prometeu que o plano estará pronto antes da COP30 no Brasil, e reafirmou o objetivo de reduzir 90% até 2040. Além disso, anunciou que a UE mobilizará até 300.000 milhões de euros para apoiar a transição energética global.
Emergentes em ação: novo eixo climático?
China e Índia cumprem metas renováveis antes do previsto, enquanto os EUA se retiram da liderança.
Guterres destacou que a China alcançou suas metas solares e eólicas para 2030 seis anos antes, e a Índia conseguiu que 50% de sua eletricidade provenha de fontes não fósseis cinco anos antes do previsto.
Em contraste, os Estados Unidos se retiraram da liderança climática após a mudança de administração, gerando um vácuo geopolítico que poderia ser ocupado por economias emergentes comprometidas.
NDC: terceira rodada de compromissos climáticos
Apenas metade dos países apresentou seus planos atualizados para 2035.
A cúpula buscava que os países signatários do Acordo de Paris apresentassem suas novas Contribuições Determinadas a Nível Nacional (NDC), essenciais para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
No entanto, apenas 50 países o fizeram a tempo. Agora, os técnicos da ONU devem avaliar se os compromissos apresentados alinharam o mundo com os objetivos climáticos.



