De azul brilhante a cinza e marrom: o desmatamento na Amazônia está apagando as cores das borboletas

Na Amazônia, as borboletas vibrantes e coloridas estão se tornando cinzas e marrons devido à desmatamento.

Assim indica um estudo que demonstrou que a perda da floresta reduz a diversidade cromática de 60 espécies de borboletas analisadas.

A pesquisa foi liderada por cientistas brasileiros e britânicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Centro para a Ecologia e a Conservação da Universidade de Exeter.

Estes provaram que as borboletas são sensíveis a mudanças ambientais repentinas.

Borboletas descoloridas na Amazônia. Fotografia de Ingmar van der Brugge CC BY-NC-ND 4.0.
Borboletas descoloridas na Amazônia. Fotografia de Ingmar van der Brugge CC BY-NC-ND 4.0.

Em particular, estão intimamente associadas às espécies vegetais do seu entorno, o que as torna indicadores dos efeitos do desmatamento.

“O impacto do desmatamento nos ecossistemas é enorme”, afirmou Cristiano Agra, professor e pesquisador da UFPel e coorientador do estudo realizado em 2021.

Borboletas na Amazônia, de azul brilhante a tons de cinza

Os pesquisadores analisaram espécies em diferentes pontos da floresta com diferentes níveis de impacto humano.

Após a busca, classificaram cada espécie segundo sua composição cromática e contato com o ambiente.

As borboletas observadas em locais recentemente desmatados, as asas mostravam tons marrons ou acinzentados.

Em contraste, as mesmas espécies em florestas preservadas apresentavam cores azuis, brilhantes, transparentes, vermelhas e alaranjadas.

Visto que em áreas desmatadas a vegetação é limitada, isso provoca o desaparecimento de espécies-chave.

Borboletas descoloridas na Amazônia. Fotografia de Raymê Carvalho CC BY-NC 4.0
Borboletas descoloridas na Amazônia. Fotografia de Raymê Carvalho CC BY-NC 4.0

Uma delas é a borboleta morpho azul (Morpho menelaus), em perigo de extinção.

Esta espécie tem um papel ecológico fundamental na manutenção dos ecossistemas florestais.

No entanto, apenas sobrevivem as espécies com tons similares ao ambiente queimado que conseguem se camuflar melhor.

As chaves da pesquisa

O biólogo Ricardo Spaniol, autor principal vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFRGS, explicou que inicialmente buscavam verificar diversos impactos do desmatamento.

Foram as cores que nos chamaram a atenção e decidimos investigar mais a fundo o que estava acontecendo com a coloração”, destacou Spaniol.

A pesquisa foi desenvolvida em uma área do Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Este local conta com fragmentos de florestas originais, áreas desmatadas e floresta amazônica preservada. Uma diversidade ambiental essencial para a observação científica.

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