Espanha e França enfrentam incêndios históricos com milhares e milhares de hectares afetadas.
No caso da Espanha, em Ávila, ao noroeste de Madri, o fogo consumiu cerca de 50.000 hectares. A ministra para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, qualificou-o como o incêndio mais grave em décadas. O presidente Pedro Sánchez advertiu que ainda restam “horas complexas” pela frente.
Os focos em Madri e províncias vizinhas ameaçaram convergir em um incêndio massivo ao redor da capital, obrigando a evacuar 60.000 pessoas.
Testemunhos dos evacuados
Helena, de 45 anos, relatou: “Viemos com o que tínhamos porque pensamos que voltaríamos no dia seguinte. Estamos exaustas, com vontade de voltar para casa”.
Outro vizinho, Juan Manuel Moreno, lembrou as inundações de 2023 e a tempestade Filomena de 2021: “Estamos acumulando problemas, mas essas coisas podem ser evitadas. A Espanha é floresta, mas nada é limpo”.
França: a “tempestade de fogo” em Bordéus
A apenas 15 km de Bordéus, os bombeiros combatem um fenômeno conhecido como tempestade de fogo.
O tenente-coronel Éric Brocardi explicou que o calor extremo provoca autocombustão e relâmpagos internos que alimentam as brasas. Em Le Porge, entre Bordéus e Cap Ferret, as imagens aéreas mostraram casas e veículos calcinados.
O prefeito de Bordéus, Thomas Cazenave, confirmou que o fogo está próximo da cidade, embora não se contemple evacuar seus 270.000 residentes.
A onda de calor prevista com temperaturas de 40 ºC ameaça agravar a situação.

Magnitude da emergência
- Na França, os incêndios já afetaram 115.000 hectares no que vai do ano.
- Milhares de bombeiros, apoiados por 1.500 militares e 1.200 policiais, combatem entre 30 e 40 incêndios simultâneos em regiões como Las Landas, o Var e a Córsega.
- No total, 325.000 pessoas foram evacuadas na Espanha e na França.
Mudança climática como detonante
Os especialistas do grupo World Weather Attribution concluíram que a seca e as ondas de calor excepcionais desde junho foram agravadas pela mudança climática, causada principalmente pela combustão de petróleo, carvão e gás. Este contexto torna as florestas mais inflamáveis e multiplica a intensidade dos incêndios.
A simultaneidade de incêndios na Espanha e na França reflete como a mudança climática transforma fenômenos naturais em crises humanitárias e ambientais.
A “tempestade de fogo” em Bordéus e o incêndio histórico em Ávila são sinais de que a Europa enfrenta um desafio sem precedentes: proteger vidas, ecossistemas e cidades frente a um cenário de calor extremo e secas prolongadas.



