Glaciar em rápido recuo: acesso a cavernas de gelo em Terra do Fogo é restrito devido ao risco de colapso

O Ministério da Produção e Meio Ambiente da Terra do Fogo resolveu restringir completamente o acesso às grutas de gelo localizadas na Área Natural Protegida “Reserva Hídrica Provincial Vinciguerra e Vale do Arroyo Chico”, nas proximidades de Ushuaia. Isso se deve ao grave risco estrutural que apresentam.

A disposição foi estabelecida através da Resolução MPyA N.º 219/25. O objetivo é proteger a vida dos visitantes diante do crescente processo de derretimento e desprendimentos do glaciar, provocado pelo aumento sustentado das temperaturas e atividade sísmica na região.

“A frente do glaciar está perdendo espessura de forma acelerada, com uma instabilidade crescente nas grutas. Convidamos a desfrutar do ambiente sem se expor a um risco desnecessário”, alertou a secretária de Meio Ambiente, Andrea Bianchi.

Um ambiente selvagem que requer precauções

As autoridades lembraram que se trata de uma zona de alta montanha, onde as caminhadas devem ser feitas:

  • Com vestimenta e equipamento técnico adequado
  • Na companhia de guias habilitados
  • Respeitando as sinalizações instaladas e a regulamentação vigente

A entrada não autorizada compromete tanto a segurança pessoal quanto a integridade do ecossistema glaciar, já afetado pelo câmbio climático e pela pressão turística.

O antecedente do colapso da Cueva de Jimbo

A decisão está inserida numa política de prevenção mais rigorosa, após o colapso ocorrido no verão passado na Cueva de Jimbo, uma das formações naturais mais visitadas da Terra do Fogo.

Apesar de estar restrito desde 2021, a entrada continuava sendo feita de forma irregular. Pesquisadores do Centro Austral de Investigaciones Científicas (CADIC-CONICET) tinham alertado sobre frequentes desprendimentos de gelo e rocha no interior da caverna, causados pela erosão natural e uso turístico não regulamentado.

“O colapso, embora não tenha causado vítimas, evidenciou a fragilidade dessas estruturas naturais e a urgência de medidas mais contundentes para sua preservação”, apontaram do Ministério.

Um apelo ao turismo consciente e à corresponsabilidade

As autoridades instaram operadores turísticos e visitantes a:

  • Evitar a promoção de excursões a áreas de alto risco
  • Respeitar as restrições de acesso
  • Priorizar a segurança e a educação ambiental

“Passar pelas grutas de gelo era quase uma obrigação para montanhistas e caminhantes, mas hoje exige um olhar diferente: o de uma conservação ativa e uma visita responsável”, concluiu Bianchi.

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