Incêndios e mudanças legais ameaçam 64.000 ha na Argentina colocando o meio ambiente em risco

A Argentina enfrenta um grave desafio ambiental devido a recentes modificações legislativas que alteram a proteção de terras e a gestão de incêndios florestais.

O governo de Javier Milei propôs reformas que promovem o investimento privado, flexibilizando as normas ambientais.

Essas propostas surgem em um momento crítico, já que os incêndios florestais devastaram mais de 64.000 hectares, gerando uma rejeição significativa entre a população e grupos ecologistas.

Entre as iniciativas do governo está a modificação de leis que regulam os incêndios, terras e geleiras. Esta situação ocorre enquanto o fogo afeta vastas áreas, especialmente na Patagônia, segundo o Greenpeace.

O executivo de direita, acusado de negacionismo climático, planeja revisar as restrições sobre a propriedade de terras rurais.

Atualmente, a legislação limita a propriedade estrangeira a 15% a nível nacional, provincial e local, restrições que poderiam diminuir para atrair investimentos.

Em regiões agrícolas chave, a normativa atual limita os proprietários estrangeiros a 1.000 hectares e estabelece que nenhuma nacionalidade pode exceder 30% do total permitido.

O contexto ambiental argentino se agrava pelos frequentes incêndios florestais, e o governo busca mudar a Lei de Manejo do Fogo, que proíbe a mudança de uso em terrenos incendiados.

Essas modificações poderiam impulsionar a especulação sobre terras afetadas por incêndios, em um país onde a mudança climática e a pressão sobre os recursos são crescentes.

As reformas propostas também contemplam mudanças na lei de geleiras, permitindo atividades mineradoras em áreas periglaciais, cruciais para a conservação hídrica e a regulação climática.

Além disso, busca-se reformar o regime de desapropriações, limitando o uso do conceito de utilidade pública e aumentando indenizações, alinhando-se com o objetivo governamental de fortalecer a propriedade privada.

Esta agenda de reformas gerou uma forte oposição, com organizações ecologistas, cidadãos e partidos políticos preocupados com o retrocesso na proteção ambiental.

Um processo de audiência pública foi iniciado, envolvendo mais de 400 especialistas, cientistas e ativistas, enquanto muitos outros apresentarão objeções escritas e audiovisuais.

Esta situação reflete uma crescente tensão social em torno das políticas ambientais do país, especialmente quando os efeitos da mudança climática são cada vez mais evidentes.

As reformas incluem mudanças na Lei de Manejo do Fogo, a regulação da propriedade estrangeira de terras, e o máximo permitido por titular, junto com a lei de geleiras e o regime de desapropriações, em um contexto de intensa crítica pública.

As autoridades defendem que esses ajustes promoverão investimentos em áreas como a mineração e a agroindústria, embora os críticos ressaltem os riscos para a soberania e os recursos estratégicos.

O pacote de reformas impactará a proteção de geleiras e as normas de desapropriação, enquanto a oposição pública cresce.

As audiências públicas atraíram centenas, com muitos mais preparando objeções, sinalizando uma preocupação aumentada pelas salvaguardas ambientais e as políticas de gestão territorial.

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