Nesta segunda-feira começou o julgamento por dano ambiental em Puerto Madryn contra dois responsáveis hierárquicos da empresa pesqueira Conarpesa. A investigação começou em 2020 e foram acusados por suposto dano ambiental.
O processo, que é oral, é presidido pela juíza Patricia Reyes, e conta com a acusação do promotor-chefe Alex Williams e da promotora Florencia Bianchi, da Agência de Delitos Ambientais. Os detalhes do caso e qual poderia ser a condenação.
Os acusados e o desenvolvimento do julgamento
Segundo informou o Ministério Público Fiscal, as pessoas acusadas são Nadine Parry, gerente da planta, e Brahim Yoosef Vargas, responsável pelo tratamento de efluentes.
As audiências serão conduzidas pela juíza Patricia Reyes, com a participação do promotor-chefe Alex Williams e da promotora Florencia Bianchi, da Agência Especial de Delitos Ambientais.

A investigação começou em 2020, quando viralizou um líquido rosado e de forte odor despejado diretamente no mar a partir do Parque Industrial Pesqueiro.
A partir deste material, o promotor-chefe ordenou uma investigação de ofício que incluiu perícias técnicas, inspeções e análises de laboratório.
Os resultados das perícias
Pessoal de Criminalística, da área de Meio Ambiente municipal e cientistas do CENPAT-CONICET confirmaram a existência de um bypass não autorizado na planta da empresa. Por ali teriam sido derivados líquidos sem o tratamento correspondente.
Os estudos detectaram níveis de contaminação muito superiores aos permitidos, com presença de Escherichia coli em quantidades até 2000 vezes acima do limite legal.
O despejo ocorreu diretamente no Golfo Nuevo, uma área de alto valor ambiental e turístico, que também abriga espécies marinhas protegidas e faz parte do ecossistema costeiro que rodeia a cidade de Puerto Madryn.

Um julgamento que poderia ser histórico
Este julgamento constitui o primeiro processo penal em Chubut contra diretores de uma empresa por um suposto crime ambiental.
Da Promotoria explicaram que buscam estabelecer a responsabilidade penal dos acusados, uma vez que o delito se configura quando o despejo é potencialmente prejudicial à saúde humana e provoca contaminação ambiental.
Este processo poderia estabelecer um importante precedente em matéria de responsabilidade empresarial frente a crimes ambientais no país.
Espera-se que as audiências se desenvolvam nas próximas semanas, com a apresentação de testemunhas, técnicos e funcionários que participaram da investigação.



