Durante milhares de anos, os manguezais do Caribe colombiano registraram os avanços e retrocessos do mar. Ao mesmo tempo, atuaram como uma defesa natural frente a tempestades e mudanças climáticas extremas.
Assim, esses ecossistemas funcionaram como um arquivo vivo do litoral. No entanto, essa memória natural está seriamente ameaçada.
Nas últimas décadas, o desaparecimento de manguezais acelerou de forma alarmante. Colômbia perdeu mais de 80% dos manguezais do Caribe, que uma vez cobriram cerca de 4.500 km². Atualmente sobrevivem apenas algumas centenas de quilômetros quadrados. A taxa de perda gira em torno de 8,5 km² por ano.
Essa degradação não impacta apenas a biodiversidade costeira. Além disso, enfraquece a proteção natural de populações e assentamentos humanos. Portanto, o retrocesso do manguezal expõe o litoral a riscos crescentes. A estabilidade costeira fica cada vez mais comprometida.

O litoral como sistema vivo
As pesquisas desenvolvidas em locais como a Ciénaga Grande de Santa Marta, a Caimanera em Coveñas e o Parque Nacional Natural Tayrona permitem reconstruir a história ambiental do Caribe. Para isso, analisam-se camadas de sedimento extraídas por meio de perfurações. Cada centímetro representa décadas de mudanças ambientais.
Nessas colunas aparecem areias, lodos e restos orgânicos que revelam transformações da paisagem. Através do pólen e fragmentos vegetais, identifica-se quais ecossistemas dominaram em cada etapa. Desse modo, a vegetação atua como indicador chave. A salinidade define os limites ecológicos entre mar e continente.
Quando o nível do mar avança ou retrocede, a vegetação costeira se desloca. Esse movimento fica registrado sob a terra como uma marca do tempo. Assim, os manguezais narram a história de transgressões e regressões marinhas. Ler esse relato permite antecipar cenários futuros.
O papel dos manguezais no ecossistema
Os manguezais cumprem funções essenciais para o equilíbrio ambiental. Retêm sedimentos, reduzem a energia das ondas e estabilizam a linha de costa. Além disso, favorecem a acumulação de matéria orgânica. Isso permite que o solo se eleve gradualmente.
Quando o manguezal se mantém ativo, o terreno pode crescer vários milímetros por ano. Este processo natural protege contra a erosão e o avanço do mar. Por isso, são considerados uma barreira viva. Sua perda deixa a costa sem defesa.
Por sua vez, esses ecossistemas sustentam uma alta biodiversidade. Funcionam como refúgio e zona de criação para peixes, crustáceos e aves. Também regulam a qualidade da água. Sua degradação impacta toda a rede ecológica costeira.

Decisões urgentes frente à mudança climática
Os registros científicos mostram que a desaparecimento do manguezal aumenta a vulnerabilidade frente ao aumento do nível do mar. Além disso, eventos extremos como tempestades e possíveis tsunamis geram preocupação crescente. Frente a este cenário, a inação já não é uma opção. A evidência acumulada é contundente.
A recuperação de áreas históricas de manguezal surge como uma alternativa eficaz. Ao contrário dos muros de concreto, essas soluções baseadas na natureza restauram ecossistemas e geram emprego local. Além disso, fortalecem a resiliência climática. A tecnologia para fazê-lo já existe.
Enquanto o Caribe conta com estudos detalhados, o litoral Pacífico apresenta grandes lacunas de informação. Essa falta de dados incrementa a incerteza sobre sua vulnerabilidade. Por isso, reconstruir a história ambiental não é um exercício acadêmico. É uma ferramenta chave para proteger o futuro do litoral colombiano.



