O Centro Mexicano de Direito Ambiental (Cemda) apresentou seu 12° relatório sobre a situação das pessoas defensoras dos direitos humanos ambientais no México (2025), revelando um aumento de 43% nos eventos de agressão em relação ao ano anterior.
O documento adverte que o panorama para aqueles que defendem o meio ambiente e os territórios continua sendo de alta insegurança e risco, com 199 assassinatos em uma década e níveis de impunidade que alcançam entre 90 e 95%.
Dados principais do relatório
- 2025: foram registrados 10 assassinatos de defensores (2 mulheres e 8 homens) em Jalisco (3), Oaxaca (2), Guerrero (2), Morelos (1), Michoacán (1) e Puebla (1).
- Agressões: 135 eventos documentados (+43%) e 314 agressões específicas (+33%).
- Agressões identificadas:
- Estado em seus diferentes níveis: 76 eventos (56,2%).
- Crime organizado: 13 eventos (9,6%).
- Empresas privadas: 12 eventos (8,8%).
- Tipos de agressão mais frequentes: estigmatização, intimidação e difamação (53,8%).
- Criminalização: 107 vítimas (33,1% do total).
- Desaparecimentos: 3 casos documentados em 2025, sem informações suficientes sobre os responsáveis.
Impacto em mulheres defensoras
O relatório destaca um aumento de 61,8% nas agressões contra mulheres defensoras em relação a 2024. Os ataques mais comuns foram intimidação, assédio, difamação, ameaças, violência de gênero, criminalização e estigmatização.

Estados mais críticos
Jalisco aparece como um dos territórios mais alarmantes, com:
- 8 eventos de agressão.
- 17 agressões específicas.
- 3 dos 10 assassinatos registrados.
- 1 dos 3 desaparecimentos documentados.
Importância dos defensores ambientais
Os defensores ambientais desempenham um papel essencial na proteção de ecossistemas, água e ar, garantindo direitos humanos fundamentais e atuando na linha de frente contra a crise climática. Seu trabalho é fundamental para:
- Proteger a saúde e o meio ambiente frente à poluição e destruição de recursos.
- Defender direitos humanos como a vida, a alimentação e um ambiente saudável.
- Mitigar a mudança climática, protegendo florestas e ecossistemas que absorvem carbono.
- Promover justiça ambiental e participação cidadã, impulsionando acordos como o Acordo de Escazú.
- Resguardar territórios e comunidades, resistindo a projetos extrativos ou poluentes.
Contexto de risco
Apesar de sua importância, os defensores ambientais na América Latina são um dos grupos mais afetados pela violência e criminalização. A situação no México exige políticas públicas urgentes de proteção, mecanismos eficazes de investigação e garantias de segurança para aqueles que arriscam suas vidas em defesa da natureza e dos direitos humanos.
O relatório do Cemda reflete uma realidade crítica: a violência contra defensores ambientais no México não só aumenta, mas se mantém em um contexto de impunidade estrutural. A proteção dessas pessoas é indispensável para assegurar a justiça social e ecológica, e para enfrentar os desafios da crise climática e da degradação ambiental.



