Morre Brigitte Bardot, o eterno ícone do cinema francês e defensora dos animais, aos 91 anos na França

Morre Brigitte Bardot, a mítica intérprete, que revolucionou a tela nos anos 50 antes de abandonar a glória pelo ativismo, faleceu neste domingo em sua residência de Saint-Tropez.

O mundo da cultura e do ativismo se despede hoje de uma de suas figuras mais transcendentes. Brigitte Bardot, a atriz que definiu uma era de liberdade e sensualidade no cinema europeu, morreu aos 91 anos.

A notícia foi confirmada neste domingo, 28 de dezembro, pela fundação que leva seu nome, organização que destacou sua entrega absoluta à proteção das espécies mais vulneráveis durante a segunda metade de sua vida.

A saúde da artista, conhecida globalmente por suas iniciais “B.B.”, havia se debilitado nos últimos meses. Após uma série de complicações respiratórias e breves estadias hospitalares durante o último ano, Bardot passou seus últimos dias na tranquilidade de seu refúgio no balneário de Saint-Tropez, afastada do foco midiático que tanto a perseguiu em sua juventude.

Muere Brigitte Bardot
Morre Brigitte Bardot aos 91 anos

Um furacão que mudou a sétima arte

Nascida em Paris em 1934, Brigitte Bardot não foi apenas uma estrela de cinema; foi um fenômeno sociológico. Sua irrupção definitiva ocorreu em 1956 com a estreia de “…E Deus Criou a Mulher”, dirigida por Roger Vadim.

Aquela interpretação rompeu os esquemas conservadores do pós-guerra, convertendo-a no símbolo de uma feminilidade moderna, desinibida e rebelde.

Ao longo de duas décadas de carreira, trabalhou sob a lente de diretores fundamentais como Jean-Luc Godard em “O Desprezo” (1963) e Louis Malle em “A Verdade” (1960). No entanto, em 1973, no ápice de sua beleza e popularidade, tomou uma decisão sem precedentes: retirou-se definitivamente da atuação.

Aos 39 anos, Bardot trocou os sets de filmagem pela defesa dos direitos dos animais, qualificando sua fama anterior como uma “prisão dourada“.

Morre Brigitte Bardot, a voz dos que não têm voz

Desde sua aposentadoria, sua influência não diminuiu, mas mudou de direção. Em 1986 fundou a Fondation Brigitte Bardot, tornando-se uma ativista incansável contra a caça de focas, o abuso em matadouros e o abandono de animais de estimação.

“Dei minha juventude e minha beleza aos homens; agora dou minha sabedoria e minha experiência aos animais“, costumava repetir para explicar sua metamorfose.

O presidente da França, Emmanuel Macron, rendeu homenagem ao seu legado através de um comunicado, descrevendo-a como uma “lenda do século” cuja existência representou o brilho universal da liberdade francesa.

Apesar das controvérsias que cercaram algumas de suas declarações políticas em anos recentes, sua figura permanece como um pilar indiscutível da história contemporânea.

Com a morte de Brigitte Bardot, desaparece o último grande mito do cinema francês do século XX, deixando para trás um legado de mais de 40 filmes e uma luta inquebrantável pelo bem-estar animal que continuará através de sua fundação.

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