A organização Oxfam Intermón acaba de publicar o relatório O saque climático: como alguns poucos poderosos estão levando o mundo ao desastre, no qual denuncia o impacto desproporcional dos 0,1% mais ricos da população mundial na crise climática.
Segundo o estudo, uma pessoa pertencente a esse grupo gera mais emissões de CO₂ em um único dia do que alguém dos 50% mais pobres em todo um ano. Esta desigualdade extrema na pegada de carbono evidencia que a emergência climática não é apenas ambiental, mas também profundamente social e econômica.
Emissões descomunais e orçamentos esgotados
O relatório, baseado em dados desde 1990, estima que um super-rico médio emite mais de 800 kg de CO₂ por dia, não apenas por seu consumo direto, mas também por seus investimentos empresariais.
- 1,9 milhões de toneladas de CO₂ por ano por investimentos.
- Equivalente a 10.000 voltas ao mundo em avião privado.
- Se toda a humanidade emitisse como os 0,1% mais ricos, o orçamento de carbono se esgotaria em menos de três semanas.
Este orçamento representa a quantidade máxima de emissões que podemos gerar sem superar o limite de +1,5 °C de aquecimento global, estabelecido pelo Acordo de Paris.

Impactos globais: mortes, danos e desigualdade
As emissões do 1% mais rico poderiam causar:
- 1,3 milhões de mortes relacionadas ao calor até o final do século.
- 44 trilhões de dólares em danos econômicos para países de renda baixa e média-baixa até 2050.
O mais grave: as consequências afetam desproporcionalmente aqueles que menos contribuíram para o problema, especialmente no Sul global, com maior impacto em mulheres, meninas e comunidades indígenas.
Números que revelam o desequilíbrio do “saque climático”
- Desde 1990, as emissões do 1% mais rico aumentaram 13%, e as do 0,1% 32%.
- As dos 50% mais pobres diminuíram 3%.
- Uma pessoa do 1% mais rico consome 100 vezes mais orçamento de carbono do que alguém dos 50% mais pobres.
- Uma pessoa dos 50% mais pobres emite, em média, 2 kg de CO₂ por dia.
- Se todos emitíssemos como o 1% mais rico, o orçamento de carbono se esgotaria em menos de três meses.
Urgências e soluções
Para evitar superar o limite de +1,5 °C, a Oxfam propõe:
- Redução de 97% das emissões para o 1% mais rico.
- Redução de 99% para o 0,1% mais rico antes de 2030.
- Revisão das emissões derivadas de investimentos, que em 2024 ascenderam a 586 milhões de toneladas de CO₂, mais do que as emissões conjuntas de 118 países.
A justiça climática como prioridade
A dez anos do Acordo de Paris, o relatório da Oxfam Intermón apresenta uma verdade incômoda: a crise climática é impulsionada por uma elite econômica que consome recursos a um ritmo insustentável, enquanto as populações mais vulneráveis enfrentam suas consequências.
A COP30 torna-se assim uma oportunidade histórica para exigir responsabilidade climática diferenciada, regulação de investimentos poluentes e redistribuição do esforço climático.



