Estados Unidos enfrenta um novo desafio legal com uma ação contra o ex-presidente Donald Trump por não regular a poluição por fuligem, violando assim a Lei do Ar Limpo. Esta ação judicial, apresentada por uma coalizão de onze estados junto ao Distrito de Columbia e várias cidades importantes como Nova York, acusa a administração federal de negligenciar uma normativa crítica aprovada em 2024 que busca controlar as partículas finas.
O litígio destaca o impacto nocivo da poluição do ar na saúde pública, afetando principalmente comunidades vulneráveis e sublinhando a inação da Agência de Proteção Ambiental (EPA) diante de um dos poluentes mais insidiosos.
A denúncia, impulsionada por estados e grandes cidades, ressalta a violação de regulações ambientais vitais para proteger a população das partículas mais perigosas.
O ar poluído tornou-se um perigo imperceptível mas mortal, afetando significativamente a saúde respiratória dos cidadãos. As diminutas partículas, geradas por motores e atividades industriais, atravessam as barreiras corporais e causam danos cardíacos.
Esta ameaça não é equitativa, afetando desproporcionalmente os bairros mais desfavorecidos. Aqueles que vivem perto de estradas principais são obrigados a respirar ar carregado de toxinas.
A ação contra Trump centra-se na falta de cumprimento dos Padrões Nacionais de Qualidade do Ar (NAAQS), que exigem a limitação de partículas finas no ar.
Lei do Ar Limpo
Os demandantes alegam que a EPA falhou em aplicar a normativa vigente desde 2024, a qual estabelece limites mais rigorosos para a fuligem (PM2.5), embora o Congresso tivesse disposto sua imediata execução.
O procurador da Califórnia, Rob Bonta, lidera o caso, argumentando que o Governo federal ignora leis desenhadas para proteger a cidadania da poluição, amplamente reconhecida como mortal pelos especialistas.
A fuligem ou partículas finas PM2.5 representa um risco significativo devido ao seu diminuto tamanho, originando-se principalmente de veículos, indústrias e combustão de combustíveis fósseis.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a exposição prolongada a estas partículas está relacionada com um aumento em doenças do coração, respiratórias e câncer, contribuindo para cerca de 7 milhões de mortes prematuras anualmente no mundo.
Estas partículas penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, causando infartos e asma, e reduzindo a expectativa de vida.
Um aspecto crucial da ação é o impacto desproporcional em comunidades de baixa renda e minorias.
Estudos nos EUA, incluindo relatórios da EPA e Harvard, mostram que as comunidades afro-americanas enfrentam níveis de poluição por partículas finas até 40% mais altos que a média nacional.
Isso se deve a fatores estruturais como a proximidade a áreas industriais e vias principais, elevando a qualidade do ar a um tema de justiça ambiental.
A EPA é responsável por aplicar os padrões de qualidade do ar, mas os demandantes acusam sua falta de ação em relação à normativa de 2024.
A ação busca que um tribunal ordene à EPA cumprir com a lei, estabelecendo limites mais rigorosos e ativando mecanismos de controle a nível nacional.
Litígios ambientais como este são comuns nos EUA para fomentar ações climáticas e ambientais frente a bloqueios políticos ou administrativos.
A evidência científica é clara: a poluição do ar incrementa hospitalizações e mortalidade. Segundo os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC), a má qualidade do ar está diretamente ligada a aumentos em hospitalizações.
O procurador Bonta resume: “quando o ar piora, aumentam as visitas a hospitais e as crianças sofrem para respirar”.
Estudos recentes sugerem que mesmo baixas exposições a partículas finas podem ter efeitos acumulativos a longo prazo.
A falta de ação administrativa levou o caso aos tribunais, em busca de justiça climática. Vários estados exigem que as autoridades ambientais atuem para aplicar as leis mais rigorosas contra a poluição.
A ciência confirma que cada partícula tóxica reduz a expectativa de vida e sobrecarrega os serviços de saúde. Proteger o ar que respiramos é crucial para evitar doenças prematuras.
A ação contra Trump por não regular a poluição por fuligem reflete uma tensão crucial entre política, saúde pública e meio ambiente. Este caso não só destaca a necessidade de aplicar normativas ambientais, mas também pode estabelecer um precedente importante para a proteção do ar nos EUA.
O resultado deste julgamento poderia estabelecer um precedente decisivo na proteção da qualidade do ar e a capacidade dos estados para fazer cumprir as leis ambientais frente ao Governo federal.



