Projeto na Câmara propõe mudar o fuso horário na Argentina para economizar energia.

Um projeto de lei, apresentado pelo deputado Julio Cobos, busca modificar o fuso horário do país. A proposta implica atrasar uma hora os relógios da Argentina, com o objetivo de economizar energia e melhorar as condições de saúde.

O texto – que aguarda para ser incluído na pauta da sessão do próximo 2 de julho da Câmara Baixa – propõe estabelecer como hora oficial a do fuso horário de quatro horas a oeste do meridiano de Greenwich.

O proponente argumenta que, de acordo com o Sistema Internacional de Fusos Horários, essa é a faixa que corresponde ao nosso país e não a atual de -3.

De acordo com o Sistema Internacional de Fusos Horários, a Argentina está uma hora adiantada.

Argumentos para a mudança de fuso horário

“A Argentina hoje possui uma das maiores diferenças entre a hora solar e a hora oficial. Isso afeta não apenas o consumo de eletricidade, mas também o desempenho escolar de nossos alunos”, afirmou Julio Cobos em suas redes sociais ao apresentar o projeto.

“Isso é particularmente grave para as províncias que estão mais a oeste, as províncias cordilheiras. Porque estão muito mais desfasadas em relação ao seu horário natural”, disse o especialista em cronobiologia Diego Golombek ao Infobae.

O especialista considerou que aproveitar a luz solar durante a manhã sincroniza o relógio biológico, melhora o alerta e também o estado de espírito.

O projeto de Cobos contempla a possibilidade de que o Poder Executivo considere manter o fuso horário de UTC-3 durante o verão.

A proposta de atrasar uma hora nos relógios argentinos visa aproveitar a luz solar. Foto: Cristian Lozano.

Adiantar a hora garante economia de energia?

A questão energética é um dos aspectos mais abordados na iniciativa de lei. O deputado Cobos considerou que o contexto internacional impulsiona a necessidade de corrigir o fuso horário. No projeto, faz referência à crise energética a nível global, agravada pelos conflitos bélicos.

Além disso, faz menção ao impacto dos aumentos dos preços internacionais dos hidrocarbonetos, como carvão, gás e petróleo.

No entanto, a intenção de economia de energia ao começar a jornada de trabalho uma hora mais tarde no inverno e, portanto, aproveitar melhor a luz solar, entra em conflito com um relatório elaborado pelo Ministério de Energia em 2017.

Essa pesquisa “Análise de mudança de fuso horário na Argentina” aponta que passar para o fuso horário UTC-4h durante o inverno não beneficia a economia de energia. Isso ocorre porque adianta uma hora o nascer e o pôr do sol, escurecendo por volta das 17h (durante o horário de pico de atividade) “o que geraria um aumento no nível sobre as curvas de carga ao anoitecer, resultando em uma maior demanda de energia, que não é compensada pela economia matutina”.

Na mesma linha de Cobos, em Mendoza houve iniciativas legais para modificar a hora oficial na província. “Pedimos a mudança de fuso horário, adiantar os relógios em uma hora, implica economia e se proteger do frio. Além disso, isso leva a consumir mais energia para aquecer ambientes”, afirmou o legislador Jorge Difonso da União Mendocina.

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