Um recente relatório da Sustentabilidade Sem Fronteiras expõe o desigual progresso climático entre as províncias da Argentina face às mudanças climáticas.
Em meio a um panorama nacional marcado pelo negacionismo climático, um estudo recente traz à tona o grau de progresso, e também os estagnamentos, que as províncias vivenciam na implementação de planos, realização de inventários e obtenção de financiamento para lidar com as mudanças climáticas.
A Fundação Sustentabilidade Sem Fronteiras (SSF) apresentou o Relatório sobre Compromissos Climáticos Provinciais durante um evento na Casa da Província de La Pampa.
Este trabalho constitui o primeiro levantamento abrangente da ação climática em nível subnacional na Argentina.
O documento consolida dados oficiais de todas as jurisdições, permitindo uma comparação dos progressos em áreas-chave como institucionalidade, planos de resposta, inventários de gases de efeito estufa (GEE), arcabouços legais, financiamento e participação da cidadania.
O relatório destaca várias descobertas fundamentais:
- Apenas 3 províncias (La Pampa, Jujuy e Misiones) possuem Planos Provinciais de Resposta às Mudanças Climáticas validados pela administração nacional.
- 54% do total das províncias estabeleceram áreas governamentais dedicadas especificamente às mudanças climáticas.
- São 7 províncias que desenvolveram seus próprios inventários de gases de efeito estufa (Buenos Aires, Córdoba, Jujuy, Mendoza, Misiones, Río Negro e Santa Fe).
- Um total de 8 jurisdições possuem uma lei-quadro sobre mudanças climáticas (CABA, Santa Fe, Jujuy, Neuquén, Mendoza, Río Negro, Tierra del Fuego e Formosa).
- A província de Buenos Aires é responsável por 34% do total das emissões nacionais.
- A grande maioria das províncias depende financeiramente de fundos provenientes do Conselho Federal de Investimentos ou da cooperação nacional.
- O acesso dessas províncias a financiamento internacional é limitado.
Mariano Villares, co-fundador da Sustentabilidade Sem Fronteiras, indicou: “O federalismo climático está em pleno processo de construção“. Acrescentou que “a habilidade das províncias em manter e acelerar seus planos será crucial para que a Argentina possa cumprir com suas obrigações internacionais, bem como para proteger milhões de habitantes dos riscos de secas, inundações e incêndios”.
Este trabalho não visa criar uma classificação ou ranking, mas fornece uma “fotografia comparável” que auxilia na tomada de decisões, reduz as assimetrias na informação disponível e incentiva a aprendizagem colaborativa entre as jurisdições. A meta principal do relatório é organizar e tornar visível a informação de caráter público.
Em uma Argentina cujo governo nacional nega a existência da crise climática, são as administrações provinciais que estão procurando definir a direção a seguir.
O relatório completo pode ser baixado em www.sustentabilidadsf.org.ar/




