Tráfico de fauna: 60% dos animais capturados para o comércio ilegal na Argentina são aves

Na Argentina, seis em cada dez animais retidos para o comércio ilegal são aves. Este dado foi revelado pelo Programa Tráfico de Fauna, uma iniciativa da Aves Argentinas que completa 10 anos.

O programa nasceu em 2015 com o propósito de conscientizar e combater o tráfico de espécies silvestres, que é uma das principais ameaças para a biodiversidade.

De acordo com dados de Aves Argentinas, no tráfico de fauna, a nível global, movimentam-se mais de 20 bilhões de dólares anualmente. Isso o torna o quarto comércio ilegal mais lucrativo do mundo, depois do de armas, drogas e tráfico de pessoas.

O cardeal amarelo, uma espécie em perigo de extinção, é uma das aves mais comercializadas ilegalmente na Argentina. Foto: Aves Argentinas

Tráfico de fauna nas redes sociais da Argentina

Como parte deste programa, entre 2020 e 2024, a equipe de Aves Argentinas monitorou a atividade ilegal no Facebook, descobrindo que a venda de aves no país aumentou com o uso de novas tecnologias.

Foram analisados 70 grupos, que reúnem um grande número de espécies ou comercializam espécies raras, identificando 1124 usuários ativos nessas operações.

Embora tenha sido registrada atividade em 16 províncias, 64% das aves oferecidas provinham da província de Buenos Aires.

Neste estudo sobre o comércio ilegal, através das redes sociais, foram registrados 9088 indivíduos de 107 espécies, das quais 101 eram aves. Entre as espécies mais traficadas por esse meio estão o pintassilgo dourado, o cardeal-de-topete-vermelho e o cabecinha-preta.

Entre elas também está o cardeal amarelo, uma espécie em perigo de extinção. Segundo a lista vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), restam apenas 2000 exemplares a nível global, sendo a Argentina seu principal habitat. Nesta pesquisa, foi detectada a comercialização de 68 cardeais amarelos no Facebook.

De acordo com este trabalho, o número de ações ligadas ao tráfico de fauna nas plataformas digitais aumentou 8 vezes em relação à década anterior.

Conscientização e denúncia deste crime

Embora mais de 100 espécies de aves sejam afetadas pelo tráfico ilegal na Argentina, também foi descoberto que 20 espécies de répteis e 15 de mamíferos são vítimas desse crime.

“O tráfico não apenas rouba vidas: também mata mais do que vende. Estima-se que 9 em cada 10 indivíduos morrem no processo de captura, transporte e venda, submetidos a condições de estresse extremo, superlotação e maus-tratos”, referem-se desde Aves Argentinas.

Há dez anos, Aves Argentinas criou o programa Tráfico de Fauna para responder à problemática do comércio ilegal. Durante esta década, o programa buscou gerar informações, conscientizar e denunciar em torno dessa questão. Nesse período, foram realizados diagnósticos sobre as rotas de comercialização, funcionários dos organismos de controle foram treinados e também foram desenvolvidas campanhas de comunicação e divulgação direcionadas a um público amplo.

Aves Argentinas é uma organização nacional centenária, composta por mais de 4000 sócios, que protege as aves silvestres e a natureza da Argentina. É membro de BirdLife International, a maior rede de organizações dedicadas à conservação da natureza no mundo.

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