No âmbito do Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente da Fundação Veterinários Amigos do Impenetrável, Sebastián Robledo, destacou a importância de compreender o meio ambiente como um sistema integrado onde a saúde humana, animal e ecológica estão estreitamente relacionadas. “O meio ambiente não é uma estrutura rígida, mas um campo interdisciplinar que envolve múltiplos atores e processos”, afirmou.
Robledo sublinhou a necessidade de proteger o monte chaqueño, promover a educação ecológica e fortalecer ações que permitam conservar a biodiversidade para as futuras gerações.
Consciência ecológica e políticas públicas
O representante ambiental reconheceu que nos últimos anos houve um avanço na consciência ecológica da comunidade, acompanhado por uma maior difusão dos cuidados ambientais. No entanto, advertiu que ainda há um longo caminho a percorrer para consolidar hábitos sustentáveis e aprofundar o compromisso cidadão.
Quanto às políticas públicas, destacou que em diferentes localidades de El Impenetrable desenvolvem-se ações que combinam aspectos ambientais, produtivos e turísticos, embora tenha insistido que a educação ambiental deve ocupar um lugar central.
Saúde animal e zoonoses
Robledo ressaltou a importância de controlar a superpopulação de animais domésticos para prevenir zoonoses e proteger a fauna silvestre, muitas vezes exposta a doenças transmitidas por cães e gatos. Lembrou que em situações relacionadas à fauna silvestre os cidadãos podem se comunicar com as linhas 105 e 911, onde existem equipes de resgate e atendimento veterinário disponíveis 24 horas por dia.
Quanto ao aparecimento frequente de animais silvestres em zonas urbanas e periurbanas, explicou que este fenômeno responde ao crescimento das cidades sobre territórios historicamente ocupados por diferentes espécies. “O humano invadiu o habitat dos animais, que estão no mesmo lugar há milhares de anos”, assinalou.
Reservas e conservação
O veterinário também se referiu ao crescimento de projetos privados destinados a abrigar fauna silvestre, esclarecendo que cumprem um papel importante desde que funcionem sob a normativa vigente e em coordenação com a Direção de Áreas Protegidas e Biodiversidade.
Advertiu sobre a existência de pessoas que mantêm animais silvestres sem autorização ou realizam liberações sem critérios técnicos. “Há pseudo resgatadores que liberam espécies em lugares que não correspondem. Existem razões técnicas e científicas que devem ser respeitadas”, alertou.

O valor de El Impenetrable
Proteger e conservar El Impenetrable é vital porque representa o segundo pulmão verde da América do Sul e o maior Parque Nacional do norte argentino.
A região abrange mais de 4 milhões de hectares, com 128.000 protegidas no Parque Nacional El Impenetrable, e sua preservação é fundamental para mitigar a mudança climática, proteger espécies em perigo crítico e sustentar o patrimônio cultural das comunidades locais.
Razões chave para sua conservação:
- Refúgio de biodiversidade: lar do jaguar, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, anta e queixada, além de centenas de espécies de aves, peixes e plantas nativas.
- Rewilding: projetos de restauração ecológica e reintrodução de espécies impulsionados por organizações como a Fundação Rewilding Argentina.
- Desenvolvimento comunitário: economias baseadas em turismo de natureza, observação de fauna e artesanatos locais.
- Regulação climática: fixação de carbono, proteção de solos contra a erosão e manutenção de ciclos hídricos associados a rios estratégicos como o Bermejo.
A mensagem de Sebastián Robledo reafirma que a saúde humana, animal e ecológica fazem parte de um mesmo sistema. A conservação de El Impenetrable não só protege espécies emblemáticas e ecossistemas únicos, mas também assegura o bem-estar das comunidades locais e contribui para a luta contra a mudança climática.
A educação, a prevenção de zoonoses e a gestão responsável da fauna são pilares essenciais para garantir um futuro sustentável nesta região chave da Argentina.



