A décima jornada anual da iniciativa Mais Rio Menos Lixo evidenciou mais uma vez o nível de poluição que afeta o rio Paraná. Em diferentes pontos da costa rosarina, voluntários recolheram 72 sacos de lixo que encheram cinco contêineres, mostrando um panorama que preocupa as organizações ambientais.
A atividade foi realizada nas imediações do Aquário, Costa Alta, o Camping Municipal e a Rambla Catalunya, áreas onde se acumulam resíduos gerados pelo turismo, atividade comercial e falta de controles efetivos. Os plásticos dominaram a cena, junto com bitucas, embalagens e isopor.
A operação reuniu cerca de 70 pessoas e fechou com um balanço agridoce: uma década de trabalho contínuo, mas um sistema de gestão de resíduos que, segundo as organizações, continua sem dar respostas suficientes.

Mais organizações, mais coleta, mesmo problema
À iniciativa se juntaram coletivos ambientalistas, grupos de bairro e entidades educativas, em um esforço conjunto que terminou com a recuperação de centenas de elementos contaminantes. Entre os resíduos predominantes foram registrados garrafas, tampinhas, bitucas e canudos, estes últimos proibidos por decreto municipal desde 2020.
A classificação detalhada mostrou a magnitude do problema: centenas de embalagens, copos descartáveis, utensílios plásticos e pedaços de isopor. A persistência desses materiais evidencia a falta de fiscalização em áreas com alta atividade gastronômica e recreativa.
Para as organizações, a proliferação de resíduos descartáveis se mantém apesar da multiplicação de campanhas de limpeza. Afirmam que a situação requer políticas mais firmes e controles permanentes para evitar a degradação do ecossistema ribeirinho.
A poluição no rio Paraná: um impacto que se aprofunda
O Paraná carrega níveis crescentes de poluição associados ao uso massivo de plásticos, à falta de infraestrutura adequada e à dispersão de resíduos em suas margens. A combinação de lixo urbano, atividade turística e manejo deficiente de resíduos provoca o acúmulo de materiais que demoram décadas para se degradar.
O impacto é direto sobre peixes, aves e espécies que dependem do pântano. Os plásticos pequenos são ingeridos pela fauna e os elementos maiores ficam presos em raízes e aguapés, alterando o equilíbrio do ecossistema.
A situação também afeta as comunidades ribeirinhas, que convivem com praias sujas, odores desagradáveis e perda de qualidade ambiental. Sem um sistema integral de saneamento e controle, as jornadas voluntárias só conseguem aliviar temporariamente um problema estrutural.

Dez anos de esforços cidadãos: conquistas e limites
O projeto Mais Rio Menos Lixo completou uma década mobilizando voluntários e evidenciando as falhas do sistema de gestão urbana. Ao longo desses anos, seus integrantes documentaram a presença constante de resíduos proibidos e a falta de cumprimento das normas vigentes.
As organizações destacam que, apesar do compromisso social, cada jornada revela uma costa saturada de elementos descartáveis. Para elas, o problema requer mais do que campanhas voluntárias: demanda capacidade estatal, investimento e políticas que desincentivem o uso de plásticos desnecessários.
O aniversário incluiu um encerramento musical em homenagem ao rio e aos pântanos, um gesto simbólico para lembrar a importância cultural e ambiental do Paraná. No entanto, a mensagem que fica é contundente: a poluição continua avançando.
Rumo a uma gestão mais limpa e sustentável do rio
O caso de Rosario reflete uma problemática estendida em toda a bacia do Paraná. A combinação de resíduos domiciliares, resíduos industriais e materiais plásticos ameaça sua biodiversidade e reduz a qualidade da água.
Especialistas apontam que a transformação requer medidas como uma fiscalização constante, redução de descartáveis, ampliação de pontos de gestão diferenciada e educação ambiental sustentada. Sem esses elementos, as intervenções voluntárias só podem mitigar parcialmente o dano.
A décima edição de Mais Rio Menos Lixo volta a colocar uma pergunta chave: quanto mais o Paraná pode absorver antes de perder irreversivelmente seu equilíbrio? Enquanto não houver uma mudança profunda na gestão de resíduos, a resposta continuará sendo incerta.



