O Parlamento da França aprovou uma lei destinada a conter o aumento da moda rápida, com plataformas asiáticas como Shein e Temu no centro do debate por seu impacto ambiental e a concorrência desleal que geram. A norma busca reduzir resíduos têxteis, proteger a indústria europeia e promover práticas mais sustentáveis.
O setor têxtil representa cerca de 10% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, e essas plataformas são acusadas de inundar o mercado com produtos de baixa qualidade a preços ínfimos, gerando montanhas de lixo.
Conteúdo da lei
- Penalização financeira: cada peça terá um acréscimo progressivo que poderá alcançar até 20 euros por produto em 2030, com um limite de 50% do preço sem impostos.
- Destino das sanções: parte dos fundos será investida em infraestruturas de coleta e reciclagem.
- Mensagens obrigatórias: as empresas deverão incluir em seus sites mensagens que incentivem a reutilização e reparação.
- Proibição de publicidade: a promoção dessas marcas será restringida, inclusive através de influenciadores, embora a aplicação dependa da Comissão Europeia.

Críticas e limitações
A oposição ecologista lamentou que o texto tenha sido reduzido sob a pressão dos lobbies, deixando de fora marcas como Zara, H&M, Primark ou Uniqlo, que também não são modelos de sustentabilidade.
Segundo o deputado Charles Fournier, a ambição inicial foi “consideravelmente reduzida”.
O impacto ambiental da moda rápida
A lei se justifica pelos danos que este modelo gera:
- Consumo massivo de água: fabricar uma camiseta de algodão requer cerca de 2.700 litros, o que uma pessoa bebe em dois anos e meio. Além disso, o tingimento contamina rios com produtos químicos tóxicos.
- Emissões de carbono: a moda rápida polui mais do que todos os voos e navios do mundo juntos, devido à produção e transporte global.
- Microplásticos no mar: dois terços das roupas atuais contêm poliéster ou outros plásticos. Ao serem lavadas, liberam microplásticos que chegam ao oceano e afetam a fauna marinha.
- Montanhas de lixo: a roupa dura pouco e é descartada rapidamente. A ONU adverte que a cada segundo se queima ou se joga fora um caminhão cheio de roupas, com um nível muito baixo de reciclagem.
A nova lei francesa marca um precedente na Europa ao tentar regular a moda ultrarrápida e responsabilizar as grandes plataformas por seu impacto ambiental.
Embora limitada em alcance, a medida abre o debate sobre a necessidade de estratégias globais contra a moda rápida, que combinem penalizações, incentivos à reparação e campanhas de conscientização para reduzir o consumo desmedido.



