Líderes empresariais argentinos unem forças para transformar o desafio do plástico descartável.

Num chamado à ação contundente com o plástico descartável e no âmbito da campanha global #JulioSinPlástico.

Com mais de cinquenta destacados líderes do setor empresarial argentino reuniram-se para abordar um dos desafios ambientais mais urgentes de nosso tempo: o consumo desmedido do plástico descartável.

O evento, organizado por Sistema B Argentina em colaboração com as Empresas B MERAKI, Unplastify, La Anónima e GEA Sustentable, serviu como uma plataforma vital para compartilhar e debater soluções locais provenientes do setor privado diante dessa problemática global.

O encontro, denominado “#JulioSinPlástico x Empresas B”, reuniu influentes representantes de diversas indústrias, incluindo consumo massivo, alimentos e bebidas, embalagens e moda.

Durante dois painéis de conversação extremamente enriquecedores, quatro Empresas B locais compartilharam suas valiosas experiências e aprendizados obtidos em seu contínuo caminho para um uso e gestão mais conscientes e responsáveis do plástico.

Impulsionado com o objetivo primordial de fomentar a reflexão e inspirar através do intercâmbio de soluções tangíveis, este encontro empresarial buscou ativamente promover estratégias eficazes para reduzir, reutilizar e reciclar os resíduos plásticos, demonstrando que a ação empresarial pode ser um motor de mudança significativo.

Casos locais com impacto positivo: a inovação na prática

O primeiro painel, batizado como “Experiências reais: promovendo um uso eficiente, consciente e responsável do plástico”, contou com a participação estelar de Natalia Bernasconi, Gerente de Sustentabilidade de La Anónima, e Marcos Aliaga, Diretor e Cofundador de MERAKI.

A conversação foi habilmente moderada por Marina Arias, Diretora Executiva de Sistema B Argentina.

Natalia Bernasconi inaugurou o painel compartilhando a perspectiva de uma empresa com vasta trajetória: “Temos 117 anos de história em supermercadismo e nesse tempo houve uma evolução”.

Bernasconi destacou que La Anónima foi pioneira em eliminar o uso das tradicionais sacolas camiseta para seus clientes.

Embora a medida tenha gerado certo questionamento inicial, a empresa “tomamos a decisão de mudança com alternativas que não impactem em sua experiência de compra”.

Hoje, La Anónima oferece a seus clientes caixas de cartão, reutilizando eficientemente as embalagens de mercadorias em todas as suas filiais, e promove ativamente o uso de suas sacolas reutilizáveis como uma alternativa sustentável.

A Gerente de Sustentabilidade da cadeia de supermercados detalhou outras ações recentes implementadas: o uso de caixotes de verduras reutilizáveis, a redução do gramaje de plásticos na embalagem de seus produtos de marcas próprias e a realização de testes com materiais compostáveis.

Bernasconi enfatizou um princípio-chave para a sustentabilidade empresarial: “Para que uma iniciativa de triplo impacto seja sustentável, a rentabilidade é a base de qualquer discussão.

Algumas medidas, como eliminar as sacolas ou reduzir o gramaje na embalagem, resultam benéficas também do ponto de vista econômico.

Outras requerem investimento inicial, mas depois se amortizam com o passar do tempo”, explicou, sublinhando a viabilidade econômica das práticas sustentáveis.

Além disso, La Anónima compartilhou uma valiosa experiência de articulação interempresarial: em conjunto com a Empresa B Buplasa e seu fornecedor Unilever, instalaram uma estação de reciclagem Buply no Paseo de la Patagonia Shopping Center (Neuquén).

Este inovador ponto de recolha recebe plástico descartável de todo tipo, assegurando que sejam reinseridos em economias circulares.

Para além da recolha, este espaço funciona também como um centro educativo, oferecendo aos consumidores informações detalhadas sobre seu impacto ambiental e uma alternativa confiável e rastreável para disponibilizar corretamente seus materiais plásticos pós-consumo.

Por sua vez, Marcos Aliaga expôs a visão da MERAKI, uma Empresa B dedicada à produção de inovadores produtos de cuidado pessoal, como as célebres escovas de dentes de bambu.

“Nosso papel é desafiar a indústria com produtos que cumprem as mesmas funções mas também oferecem um impacto positivo no planeta e também nas pessoas”, iniciou Aliaga, delineando a missão disruptiva de sua empresa.

Segundo Aliaga, o desafio fundamental da MERAKI reside em oferecer produtos com um impacto ambiental positivo sem, por isso, sacrificar a funcionalidade nem desconsiderar os arraigados hábitos de consumo.

Neste complexo caminho, compartilhou uma aprendizagem crucial que foi decisiva para a evolução da empresa: “Desenvolvemos uma pasta de dentes em pastilhas, em um frasco recarregável, e fomos os primeiros a fazê-lo na América Latina.

Do ponto de vista ambiental, era uma solução excelente, mas percebemos que tínhamos perdido de vista a experiência do consumidor”. Esta revelação os levou a uma reavaliação estratégica.

A partir dessa valiosa experiência, a empresa continuou inovando e hoje oferece, além dos originais Bits MERAKI, uma pasta dental em uma embalagem de alumínio, um produto que conseguiu encontrar o ponto de equilíbrio perfeito entre o impacto positivo no ambiente, uma usabilidade ótima e as preferências do público.

“Entendemos que não se trata de ir de um extremo a outro, mas de encontrar os pontos médios, soluções reais, acessíveis e efetivas que as pessoas possam escolher”, refletiu Aliaga, destacando a importância da praticidade na adoção de hábitos sustentáveis.

Redesenhando Sistemas: Do Resíduo à Oportunidade Circular

O segundo painel, estrategicamente intitulado “O desafio do plástico nas empresas: da gestão ao redesenho sistêmico”, contou com as valiosas intervenções de Rocío González, Co-fundadora e COO de Unplastify, e Florencia Benedicto, Sócia Fundadora de GEA Sustentable.

A conversa foi moderada com maestria pela reconhecida jornalista Celeste Giardinelli.

Rocío González enfatizou a imperiosa necessidade de adotar um pensamento sistêmico para abordar a problemática do plástico.

“Desde Unplastify promovemos o redesenho de sistemas para desplastificar, porque a relação humana com o plástico está fora de controle.

Há muitas coisas em que o descartável é necessário ou muito difícil de substituir, mas em muitos casos podemos buscar alternativas e para isso estamos nós”, explicou, delineando o propósito fundamental de sua organização.

A líder da Unplastify detalhou que o processo de trabalho com as empresas sempre se inicia com uma análise exaustiva do caso particular, o que permite operar a partir de dados concretos e, fundamentalmente, promover uma profunda mudança cultural nos colaboradores.

González destacou a crescente consciência dos consumidores: “Já existe uma audiência de consumidores que não consegue entender que as empresas digam que são sustentáveis e ao mesmo tempo tenham um mau uso do plástico descartável”, assinalou.

Também sublinhou a importância de “pensar em pequenos passos, em mudanças sistêmicas que se possam sustentar ao longo do tempo”, reconhecendo que a transformação é um processo gradual mas firme.

Por sua parte, GEA Sustentable se dedica a acompanhar os grandes geradores de resíduos para facilitar sua recuperação e reciclagem, conseguindo assim uma significativa redução na quantidade de materiais que são enviados para aterros sanitários.

Adicionalmente, a empresa tem uma linha de produção própria onde fabricam madeira plástica a partir de material 100% reciclado, fechando o ciclo da economia circular.

“Os circuitos de reciclagem funcionam”, declarou Florencia Benedicto com convicção. “Realmente se recicla, o desafio está em saber que resíduos, como classificá-los e para onde levá

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