A sustentabilidade deixou de ser um requisito regulatório para se tornar uma estratégia de competitividade dentro do entretenimento ao vivo na América Latina.
Segundo uma análise da IQ Magazine, promotores e operadores de cenários estão integrando critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) em suas operações, em um contexto de inflação, maiores custos de produção e regulamentações mais exigentes.
As empresas consideram que estas iniciativas permitem otimizar processos, reduzir riscos, fortalecer a reputação e melhorar a competitividade a longo prazo.
Casos destacados na região
Chile: Lotus e Rock & Recycle
A promotora Lotus implementou o programa Rock & Recycle, com resultados concretos:
- Reciclou 47 toneladas de materiais em suas duas últimas edições.
- Aumentou a taxa de recuperação de resíduos de 11,5% em 2025 para 14,5% em 2026.
- Reduziu em 24,5% a geração total de resíduos em relação ao ano anterior.
O sucesso é atribuído a infraestrutura para reciclagem, incentivos aos participantes e campanhas de conscientização que modificam o comportamento do público.
Colômbia: Vive Claro Distrito Cultural
Em Bogotá, o Vive Claro Distrito Cultural tornou-se o primeiro cenário do país a obter a certificação Gold do padrão Global Zero Waste. Suas ações incluem:
- Sistemas para classificar e processar resíduos em eventos com mais de 40.000 participantes.
- Programas de gestão de resíduos eletrônicos com apoio de gestores certificados.
Novos critérios de fornecedores
A análise da IQ Magazine aponta que os critérios ESG também influenciam na seleção de fornecedores:
- Lotus avalia gestão de resíduos, pegada de carbono, consumo energético e condições de trabalho.
- Vive Claro incorpora cláusulas ambientais e mecanismos de rastreabilidade para cumprir padrões internacionais.

Argentina: festivais sustentáveis
A indústria do espetáculo na Argentina avança com práticas sustentáveis em grandes festivais:
- Energia limpa: uso de geradores com biodiesel, reduzindo emissões em até 75%.
- Gestão de resíduos: planos integrais para reduzir, reciclar e reutilizar materiais.
- Medição de impacto: festivais como Cosquín Rock verificam sua pegada de carbono com entidades reconhecidas.
Tendências locais
- Espaços de consciência: áreas verdes em festivais para educação ambiental com ONGs.
- Assessoria especializada: empresas como Live Energy e Ecolink oferecem soluções de economia circular.
- Capacitação de equipes: produtoras formam seus trabalhadores para deixar um legado positivo nas comunidades.
Impacto social e econômico
Além do aspecto ambiental, essas estratégias fortalecem a relação com patrocinadores, investidores e participantes, que valorizam cada vez mais o compromisso com práticas sustentáveis. A sustentabilidade se torna assim um fator de diferenciação e fidelização dentro da indústria do espetáculo.
A transformação da indústria do entretenimento ao vivo na América Latina mostra que a sustentabilidade já não é um acessório, mas um eixo estratégico. Desde Chile e Colômbia até Argentina, os festivais e cenários estão redefinindo seu impacto ambiental e social, posicionando-se como referências de um turismo cultural sustentável.



