O oceano, fonte de vida e sustento para milhões, enfrenta um ponto de inflexão. A sobrepesca, a perda de biodiversidade e a contaminação empurram os ecossistemas marinhos para um estado crítico. Nesse cenário, mais de 100 países —incluindo a Argentina— estão discutindo estratégias globais para reverter os danos.
Durante a terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, realizada em Nice, foi debatido um objetivo-chave: proteger pelo menos 30% dos mares antes de 2030. Para alcançá-lo, não basta assinar acordos: são necessárias ações concretas, compromissos reais e mudanças profundas no modelo de uso do mar.
A Argentina, embora tenha assinado o Tratado do Alto Mar, ainda não o ratificou. Este acordo permitiria a criação de áreas marinhas protegidas fora das jurisdições nacionais, algo crucial para conservar a vida oceânica em águas internacionais.
O desafio não é pequeno. Do equilíbrio entre conservação e produção depende a pesca do futuro. Cuidar do oceano já não é uma opção ambiental: é uma necessidade econômica e social.

30×30: proteger para produzir melhor
O plano global 30×30 propõe resguardar 30% das águas do planeta até 2030. No entanto, atualmente apenas 8% está efetivamente protegido. Isso evidencia uma lacuna entre discurso e ação que precisa ser fechada se quisermos preservar os recursos marinhos.
A chave não está em proibir, mas em planejar: identificar zonas essenciais para a biodiversidade, limitar as pressões extrativas e permitir que os ecossistemas se regenerem. Evidências científicas mostram que áreas bem conservadas ajudam na recuperação de populações pesqueiras, mesmo além de seus limites.
A Argentina possui uma das plataformas marinhas mais ricas do mundo. Garantir sua sustentabilidade não significa se opor à pesca, mas assegurar sua continuidade. Investir em conservação é também investir em produção.
O mar como política de Estado
Além das águas internacionais, 96% da pesca global ocorre dentro das 200 milhas de jurisdição nacional. É aí que os maiores esforços de proteção devem ser concentrados. E é também onde a Argentina deve definir uma política oceânica integral.
Atualmente, existem áreas protegidas como Namuncurá ou Yaganes, mas sua implementação é parcial. Faltam corredores ecológicos, reservas costeiras e mecanismos que conectem ecossistemas críticos. Falta também articulação entre a Nação, províncias, ciência e comunidades.
O país tem a oportunidade de liderar pelo exemplo. Ratificar o Tratado do Alto Mar e redirecionar parte dos subsídios pesqueiros para a conservação seriam passos fundamentais. Porque o mar, bem gerido, é uma fonte inesgotável de vida. Mas sem ação urgente, esse equilíbrio se quebra. E com ele, o futuro.
As consequências do aumento da temperatura do oceano.
O papel vital dos oceanos no equilíbrio do planeta
Os oceanos são essenciais para a vida na Terra. Cobrem mais de 70% da superfície do planeta e atuam como o principal regulador climático, absorvendo cerca de 90% do excesso de calor gerado pelas atividades humanas e aproximadamente um quarto do dióxido de carbono emitido para a atmosfera.
Além de sua função como sumidouro de carbono, os oceanos geram mais de 50% do oxigênio que respiramos, graças à atividade do fitoplâncton, pequenos organismos fotossintéticos que flutuam nas águas superficiais. Também desempenham um papel fundamental no ciclo da água, influenciando as chuvas, as correntes atmosféricas e a temperatura global.
Sua biodiversidade abriga milhões de espécies, muitas ainda desconhecidas, que sustentam redes alimentares, atividades econômicas e culturas inteiras. Cuidar dos oceanos não é apenas proteger a vida marinha, mas também garantir a saúde ambiental do planeta e o bem-estar humano a longo prazo.



