A Unión de Trabalhadores da Terra (UTT) denunciou publicamente o fechamento de sua loja de produtos agroecológicos localizada na rua Pellegrini, 100, na cidade de Santa Rosa, província de La Pampa.
Segundo a organização, a intervenção foi realizada na segunda-feira, 1 de julho, por inspetoras da área de Bromatologia da Prefeitura, com base em uma denúncia do Estado provincial.
Em um comunicado divulgado pela UTT, a medida foi interpretada como uma retaliação direta pelas recentes denúncias públicas contra fumigações com agrotóxicos em áreas próximas a zonas urbanas, e como uma demonstração do desinteresse institucional em promover o acesso a alimentos saudáveis e locais.
Falta de rastreabilidade e fechamento: o argumento oficial
De acordo com o registro municipal, o fechamento teria ocorrido devido a irregularidades na rastreabilidade dos produtos agroecológicos oferecidos na loja. A UTT, no entanto, questiona o fato de que, após quase três anos de funcionamento sem objeções formais, a intervenção tenha ocorrido em coincidência com a reativação do debate sobre as leis provinciais que regulam o uso de pesticidas.
O comunicado aponta que a Lei 3298 de Promoção da Produção Agroecológica deveria servir como base para apoiar esse tipo de canal de comercialização, em vez de obstruí-los. Também questiona o fato de que o município não tenha promovido uma regulamentação local que esteja em conformidade com a legislação provincial.
Reivindicações por políticas públicas, créditos e apoio aos produtores
A organização agroecológica manifestou sua insatisfação com a ausência de políticas concretas de apoio à produção camponesa. Além disso, reivindicou linhas de crédito, acesso a insumos, subsídios e incentivos para a comercialização direta.
“Estão nos perseguindo em vez de abrir o diálogo”, afirmaram. “O Estado está atacando a comida saudável e as famílias que a produzem”. A UTT considera que essa ação institucional coloca em risco a continuidade dos pequenos e médios produtores locais e alertou para um processo de “extinção silenciosa” das economias agroecológicas.
Denúncias cruzadas e críticas à política territorial
O comunicado também critica a recente aprovação de uma filial da rede Carrefour em terras da Sociedade Rural, questionando o que descrevem como uma contradição entre o discurso progressista e as decisões de gestão do governo municipal.
A UTT lembra que, no início, a atual administração havia firmado acordos com a Cooperativa Popular de Eletricidade (CPE) e com a própria organização camponesa, e denuncia uma mudança em direção a alianças com setores historicamente concentradores do modelo agroindustrial.
Debate aberto sobre soberania alimentar e governança local
O caso abre um novo capítulo na disputa pelo modelo de produção de alimentos na região e expõe tensões crescentes entre atores do campo popular e diferentes níveis do Estado.
A UTT apela à população para refletir sobre quem produz os alimentos, em que condições e com que apoio institucional e insta a defender os canais diretos e territoriais de comercialização, como ferramentas para garantir uma alimentação saudável, acessível e sem venenos.



