Coreia do Sul proíbe a venda de carne de cão: criadores em crise, abrigos sobrecarregados e transição ainda sem solução.

Numa reviravolta histórica para a defesa animal, o **governo da Coreia do Sul** aprovou em janeiro de 2024 uma lei que **proíbe a venda de carne de cachorro para consumo humano**, com prazo até **fevereiro de 2027** para que os criadores encerrem suas operações.

O avanço foi celebrado por organizações [defensoras do bem-estar animal](https://noticiasambientales.com/animales/historico-corea-del-sur-prohibe-el-consumo-de-carne-de-perro/), mas **a implementação está repleta de tensões, lacunas logísticas e efeitos indesejados**.

Entre a lei e a prática: animais invendáveis e fazendas sem saída

O desafio mais urgente é **o que fazer com meio milhão de cães em cativeiro**, em um contexto onde:

  • Os **abrigos estão saturados**
  • Os programas de adoção **avançam lentamente**
  • Alguns criadores **ameaçam liberar animais em áreas residenciais como protesto**

“Os criadores têm centenas de cães que ninguém mais compra, fazendas impossíveis de fechar e recursos mínimos para sobreviver”, indicaram ativistas locais.

Incentivos insuficientes e soluções limitadas

O Estado ofereceu **compensações de até 600.000 wons (aproximadamente USD 450)** por cachorro para aqueles que fecharem antes do prazo, mas **o montante é considerado insuficiente pelos produtores**, que denunciam a falta de alternativas de trabalho e medidas de reconversão.

Grupos de resgate têm tentado **recolocar animais em países como Canadá, Estados Unidos e Reino Unido**, onde as adoções são mais viáveis, embora **esses esforços cubram apenas uma pequena fração** dos casos urgentes.

Uma indústria ancestral e seu colapso repentino

A proibição afeta mais de **1.500 fazendas dedicadas historicamente ao consumo de carne canina**. Segundo números oficiais:

  • Desde janeiro, **623 fecharam**
  • O restante enfrenta **incerteza e pressão social crescente**

A mudança cultural é evidente: apenas **8% dos sul-coreanos consumiram carne de cachorro no último ano**, e mais de **57% apoiam a lei**. No entanto, milhares de famílias que **dependem dessa indústria há gerações** se sentem abandonadas por uma transição que consideram abrupta.

Transição justa: o desafio pendente

Apesar do avanço ético que esta lei implica, defensores dos [direitos animais](https://noticiasambientales.com/animales/dia-internacional-de-los-derechos-de-los-animales-por-que-se-celebra-hoy/), especialistas em bem-estar e atores sociais **concordam que proibir é apenas o primeiro passo**. O verdadeiro desafio reside em:

  • Desenhar políticas de **reconversão econômica e capacitação**
  • Estabelecer **programas sólidos de adoção e cuidados**
  • Evitar o sacrifício em massa de animais **salvos mas sem destino definido**

“Sem soluções abrangentes, o fechamento de fazendas pode resultar em novos focos de abandono e sofrimento”, advertem ONGs locais.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

A Justiça confirma a transferência do chimpanzé Toti: do isolamento na Argentina à reabilitação no Reino Unido

A Justiça argentina confirmou a transferência do chimpanzé Toti...

Bem-sucedido retorno ao mar de um elefante-marinho em San Clemente del Tuyú após reabilitação

Um exemplar juvenil de Elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi devolvido...

Corrientes celebra o nascimento do jaguar número 50 em liberdade, um retorno histórico no Parque Nacional Iberá

A Fundação Rewilding Argentina anunciou o nascimento de um...