A expedição “Oásis Submarinos do Canhão de Mar del Plata”, impulsionada pelo Conicet, causou um enorme alvoroço nas redes sociais graças à transmissão ao vivo de imagens do fundo marinho. A descoberta mais comentada foi a de um estranho peixe de aparência fantasmagórica, apelidado pelos usuários de “peixe telescópio”.
Embora o vídeo viral não tenha sido diretamente tirado da transmissão oficial, sua disseminação coincidiu com o pico de popularidade do streaming. A criatura surpreendeu por sua boca descomunal, pele semitransparente e olhos frontais, características que lembram seres de filmes de ficção científica.
O exemplar pertence à família Giganturidae, conhecidos como “peixes bocones”, habitantes das profundezas oceânicas. Esses peixes, que vivem entre 500 e 3000 metros abaixo do mar, continuam sendo pouco conhecidos devido à dificuldade de estudar ambientes tão extremos.
Seu aspecto chamou a atenção do público em geral, gerando todo tipo de reações humorísticas nas redes, desde memes até frases irônicas. Enquanto isso, a transmissão oficial continua revelando espécies surpreendentes do Canhão Mar del Plata.
Tecnologia em águas profundas: ciência em primeira fila
A expedição representa um marco para a ciência argentina. Pela primeira vez, é utilizado em águas nacionais do Atlântico Sul Ocidental um veículo operado remotamente, capaz de capturar imagens em alta definição sem alterar o ambiente.
Esse tipo de ferramenta permite explorar zonas inacessíveis e coletar amostras biológicas com grande precisão. Assim, amplia-se o conhecimento sobre ecossistemas pouco conhecidos e podem-se detectar novas espécies ou comportamentos.
O Canhão de Mar del Plata, em frente à costa de Buenos Aires, é uma área-chave por sua riqueza biológica. Ali se cruzam águas frias e temperadas, gerando um ambiente único que favorece a biodiversidade do Atlântico Sul.
A expedição e o interesse público que gerou reforçam a importância de investir em ciência oceânica. A divulgação massiva de seus resultados pode impulsionar novas vocações científicas e reforçar a conservação marinha no país.

Uma criatura adaptada ao abismo oceânico
Os peixes bocones apresentam adaptações únicas à vida em águas profundas. A mais marcante é sua mandíbula desproporcional, capaz de se expandir para devorar presas maiores que seu próprio corpo.
Essa estratégia permite que sobrevivam em ambientes com pouca disponibilidade de alimento. Seu corpo alongado, comprimido e terminado em um filamento facilita o deslocamento eficiente na escuridão do oceano.
Os olhos frontais e de grande tamanho sugerem uma visão aguçada em penumbra, crucial para caçar em condições extremas. Embora sua aparência intimide, esses peixes medem entre 15 e 21 cm e não representam perigo algum para os seres humanos.
Graças à expedição, espécies como essa ganham visibilidade. Seu estudo poderia fornecer dados valiosos sobre como evolui a vida em um dos ambientes mais misteriosos do planeta. E, ao mesmo tempo, continuar despertando curiosidade —e memes— das profundezas.



