Julgamento por dano ambiental em Puerto Madryn: Promotoria pede prisão efetiva para os diretores da empresa pesqueira acusados.

O Ministério Público solicitou penas de prisão efetiva para os acusados no processo por dano ambiental em Puerto Madryn. Trata-se de duas pessoas responsáveis pela Conarpesa, acusadas de descarregar resíduos pesqueiros não tratados no Golfo Nuevo em 2023.

Na audiência de alegações realizada nesta segunda-feira na cidade, o Ministério Público solicitou que Nadine Parry, responsável ambiental da empresa, seja condenada a 3 anos e 6 meses de prisão efetiva. Quanto a Yosef Vargas, que era chefe da planta de efluentes, a 3 anos e 3 meses.

Os promotores Alex Williams e Florencia Bianchi afirmaram que ambos os diretores são responsáveis pela descarga de líquidos brutos provenientes do processamento de camarão. Estes foram despejados diretamente no mar sem tratamento prévio.

Iniciou o julgamento por dano ambiental em Madryn: o pedido do Ministério Público

A acusação se baseia em um conjunto de provas. Entre elas, perícias do CENPAT-CONICET, análises laboratoriais, atas oficiais, inspeções oculares e registros fotográficos.

Todos confirmaram que existia um sistema de tubulações clandestinas tipo by pass que permitia desviar os efluentes sem depuração para o Golfo Nuevo.

Pesqueira Puerto Madryn. O que diz a investigação. (Foto: diário Jornada).

Os relatórios técnicos demonstraram parâmetros muito acima do permitido: sólidos suspensos até 21 vezes acima do limite, demanda bioquímica de oxigênio (DBO) 60 vezes mais alta, amônia 25 vezes maior e Escherichia coli 2700 vezes acima do máximo tolerado.

Também foram incorporadas como provas mensagens de WhatsApp entre os acusados, nas quais reconheciam a existência de desvios irregulares. Isso, para o Ministério Público, confirma o conhecimento e a decisão conjunta sobre a manobra.

Com as alegações já apresentadas, será a juíza Patricia Reyes quem definirá a sentença nos próximos dias.

Os detalhes do caso

Na segunda-feira começou o julgamento por dano ambiental contra dois responsáveis hierárquicos da empresa pesqueira Conarpesa. A investigação começou em 2020 e foram acusados.

Segundo informou o Ministério Público, as pessoas acusadas são Nadine Parry, gerente da planta, e Brahim Yoosef Vargas, responsável pelo tratamento de efluentes.

As audiências estão a cargo da juíza Reyes, com a participação do promotor-chefe Williams e da promotora Bianchi, da Agência Especial de Delitos Ambientais.

A investigação começou em 2020, quando um vídeo viralizou mostrando um líquido rosado e de forte odor sendo despejado diretamente no mar do Parque Industrial Pesqueiro.

A partir desse material, o promotor-chefe ordenou uma investigação de ofício que incluiu perícias técnicas, inspeções e análises laboratoriais.

Os resultados das perícias

O dano ocorreu no Golfo Nuevo, Puerto Madryn. (Foto: Wikipedia). O dano ocorreu no Golfo Nuevo, Puerto Madryn. (Foto: Wikipedia).

Pessoal de Criminalística, da área de Meio Ambiente municipal e cientistas do CENPAT-CONICET confirmaram a existência de um bypass não autorizado na planta da empresa. Por ali teriam sido derivados líquidos sem o tratamento correspondente.

As análises detectaram níveis de contaminação muito superiores aos permitidos, com presença de Escherichia coli em quantidades até 2000 vezes acima do limite legal.

O despejo ocorreu diretamente no Golfo Nuevo, uma área de alto valor ambiental e turístico, que além disso abriga espécies marinhas protegidas e faz parte do ecossistema costeiro que cerca a cidade de Puerto Madryn.

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