Durante a Semana do Clima de Nova Iorque, a organização Mercy For Animals, juntamente com parceiros como EAT, o Centro para a Diversidade Biológica, GAIN e a Aliança Global de Direito para os Animais e o Meio Ambiente, apresentou o Quadro de Indicadores das Contribuições Determinadas em Nível Nacional (NDC) sobre Sistemas Alimentares.
Esta ferramenta avalia como os países incorporam os sistemas alimentares em suas estratégias climáticas.
Alimentação e emissões: o elo perdido nas políticas climáticas
Os sistemas alimentares geram um terço de as emissões humanas, mas ainda estão ausentes em muitas NDC.
Segundo o IPCC, mesmo se as emissões fósseis fossem eliminadas, as do sistema alimentar poderiam impedir o alcance do objetivo de 1,5 °C. No entanto, muitas NDC abordam apenas a produção agrícola, ignorando etapas-chave como:
- Consumo e distribuição
- Perda e desperdício de alimentos
- Transição para dietas baseadas em plantas
Este enfoque limitado reduz o potencial de mitigação e desperdiça oportunidades de adaptação e co-benefícios nutricionais.

O que deve incluir uma NDC eficaz em sistemas alimentares
O novo quadro propõe critérios claros para integrar a alimentação na ação climática.
As NDC devem:
- Atuar em todas as etapas do sistema alimentar
- Adaptar-se ao contexto nacional e capacidades locais
- Evitar riscos de má adaptação e promover sinergias
- Garantir equidade e processos inclusivos
“As NDC são uma oportunidade para conectar as agendas climáticas e nutricionais”, afirma Oliver Camp, consultor do GAIN.
Avaliações iniciais e descobertas preocupantes
A maioria dos países analisados ignora a transição dietética e perpetua práticas poluentes.
As primeiras avaliações incluem Brasil, Quênia, Nova Zelândia, Suíça, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Apenas a Suíça se destaca por integrar políticas sólidas que conectam clima e dieta. Por outro lado, outros países continuam:
- Expandindo fronteiras agrícolas
- Intensificando a pecuária industrial
- Aplicando metodologias duvidosas para contabilizar o metano
“Essas práticas podem desfazer os avanços conquistados”, adverte Stephanie Feldstein, do Centro para a Diversidade Biológica.
Implementação efetiva: o desafio além do papel
Uma NDC ambiciosa não é suficiente se não for traduzida em ações concretas e sustentáveis.
A professora Erica Lyman, da Lewis & Clark, destaca que as NDC devem integrar políticas alimentares amigáveis ao clima e que a implementação sólida é fundamental para alcançar impacto real.
“A alimentação é o elo entre saúde, sustentabilidade e justiça social”, conclui Fabrice DeClerck, diretor científico da EAT.



