Brasil se prepara para abrir as portas para o evento ambiental mais relevante a nível global: a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, COP30.
Como particularidade, esta será realizada pela primeira vez na história em uma cidade selvática: Belém, a capital do estado do Pará, considerada a “porta de entrada” para a Amazônia.
Por isso, o Brasil decidiu mudar sua capital de forma simbólica enquanto durar o evento, de 11 a 21 de novembro de 2025.
Assim, conforme aprovado pelo Congresso brasileiro, Brasília não será a capital do Brasil durante a COP30. Em seu lugar, Belém assumirá.
A medida foi aprovada nesta terça-feira pela Câmara dos Deputados e agora deve ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio “Lula da Silva”.
Esta mudança é simbólica, buscando focar em Belém, na COP30 e em seus debates ambientais durante seu desenvolvimento.

Com esta mudança, durante esse período os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário desempenharão suas funções na cidade amazônica, em vez de em Brasília.
A transferência temporária de capitalidade, de caráter principalmente simbólico, já foi feita durante a cúpula climática Rio-92, quando o Rio de Janeiro passou a ser brevemente a capital.
Belém para a COP 30: por que Lula a escolheu
A escolha desta cidade de pouco mais de 1,5 milhão de habitantes não foi por acaso, já que o próprio “Lula” Da Silva foi quem a propôs e impulsionou como sede.
Da Silva escolheu especificamente Belém como sede da COP30 devido ao seu compromisso com a defesa da Amazônia e o clima.
Durante sua visita à COP27 no Egito, Lula prometeu fazer com que aqueles que buscam defender a Amazônia e o meio ambiente em geral conheçam a região de perto.
Por isso, escolheu e sustentou “a porta da Amazônia” como sede.
A candidatura de Belém foi formalizada pelo Itamaraty em janeiro de 2023 e aceita pela ONU no final do mesmo ano.
Assim, a escolha de Belém como sede da COP30 é um reconhecimento ao papel central que a floresta tropical desempenha tanto no ambiente quanto na geopolítica.
Lula interpela os líderes globais a cuidar da Amazônia: seu projeto
Lá, Lula não apenas buscará interpelar os líderes globais para que vejam de perto a Amazônia, mas irá além.
Na Cúpula, o país exigirá que as nações mais ricas do mundo se comprometam a financiar de maneira mais decidida a preservação das florestas tropicais do Sul Global.
Assim anunciou nesta terça-feira o ministro da Fazenda brasileiro, Fernando Haddad, ao apresentar o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, por suas siglas em inglês).

Os objetivos da COP30 em Belém
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima será realizada de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém, Brasil.
Reunirá líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e a sociedade civil para debater as medidas prioritárias para enfrentar as mudanças climáticas.
A COP30 se concentrará nos esforços necessários para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.
Além disso, também serão apresentados os novos planos de ação nacionais (NDC) e os avanços nos compromissos financeiros assumidos na COP29.
O que disse Lula sobre a COP30 em Belém
Na última quinta-feira, Lula da Silva afirmou que a Cúpula Climática da ONU em Belém “não será a COP do luxo, mas sim a COP da verdade”.
Ele fez isso durante uma visita à ilha amazônica de Marajó, em frente à cidade escolhida como sede.
Lá, ele insistiu que o evento servirá para “saber se os presidentes do mundo estão preocupados” com o aquecimento global.
Embora o mandatário tenha admitido que a infraestrutura de Belém não está totalmente preparada para uma cúpula dessa natureza, assegurou que seu Governo se propôs o “desafio” de realizá-la nessa cidade porque “o mundo precisa ver como vive o povo” na Amazônia.
“Não será a COP do luxo. Será a COP da verdade” e sobretudo para os países mais desenvolvidos, sustentou nesse sentido o mandatário brasileiro.
“É preciso que, para manter nossas florestas em pé, eles, que poluem há muito mais tempo que nós, resolvam pagar para poder dar qualidade de vida ao povo da Amazônia”, declarou.



