Peru poderia se tornar o próximo país latino-americano a eliminar seus zoológicos públicos.
Um projeto de lei apresentado no Congresso peruano propõe fechar todos esses espaços em um prazo máximo de dez anos.
Se a lei for aprovada, os animais atualmente presentes nos zoológicos seriam transferidos para centros de resgate especializados.
A iniciativa foi apresentada em 21 de outubro pelo congressista Guido Bellido, e é apoiada por outros seis legisladores.
O projeto já está na Comissão Agrária do Congresso peruano, onde será avaliada sua viabilidade.
Em particular, a proposta estabelece uma transição ordenada para um novo modelo de conservação ambiental.
Desde sua entrada em vigor, ficaria proibida a autorização, construção ou habilitação de novos zoológicos em todo o país, tanto públicos quanto privados.
Segundo o texto da lei, o objetivo é frear a expansão do modelo de confinamento de fauna silvestre e substituí-lo por alternativas educativas e de conservação mais sustentáveis.

O que acontecerá com os animais se os zoológicos forem fechados no Peru
Se a lei for aprovada, todos os animais atualmente em zoológicos seriam encaminhados para Centros de Resgate de Fauna Silvestre.
A proposta contempla reabilitá-los e, quando viável, reintroduzi-los ao seu habitat natural.
Caso a reinserção não seja possível, os animais seriam transferidos para centros de conservação especializados.
A transferência não implicaria novos gastos para o Tesouro Público peruano, já que o financiamento viria dos orçamentos do Ministério do Meio Ambiente e governos regionais e locais.
Os casos que motivaram a proposta para fechar os zoológicos no Peru
O projeto cita exemplos concretos de deficiências em zoológicos peruanos.
Em 2019, o órgão fiscalizador peruano OSINFOR sancionou o Zoológico Municipal de Huancayo pelo desaparecimento de mais de 80 animais.
Um relatório posterior apontou “falta de medicamentos devido a má planejamento orçamentário“, segundo detalha o documento legislativo.
Outro caso mencionado é “La Granja del Tío Telto” em Cusco.
Lá, foram detectados três capivaras sem autorização de exibição e condições ambientais inadequadas para a espécie.

Educação e antecedentes regionais: outros detalhes da proposta
A iniciativa também ordenaria ao Ministério da Educação a incorporar programas de respeito à fauna silvestre no currículo escolar.
Também se busca promover métodos de aprendizado sem necessidade de contato direto com animais em cativeiro.
O objetivo é sensibilizar os estudantes sobre alternativas sobre o bem-estar animal e o respeito à biodiversidade.
Como base, o projeto de lei menciona reformas similares aplicadas em Costa Rica, Chile e Argentina.
Em 2024, Costa Rica fechou seus últimos zoológicos públicos e reconverteu esses espaços em centros de conservação e educação ambiental.
A exposição de motivos argumenta que os zoológicos atuais enfrentam múltiplas deficiências estruturais.
Entre estas, contam-se a falta de infraestrutura adequada, escassos recursos técnicos e condições de confinamento que afetam o bem-estar físico e psicológico dos animais.
Além disso, o documento aponta que “a função educativa e de conservação dos zoológicos é limitada” e que o modelo de exibição perdeu legitimidade social.
Se o Congresso aprovar a proposta, o Peru se juntaria a uma tendência regional que busca repensar a relação entre humanos e animais silvestres, priorizando seu bem-estar e conservação em ambientes mais próximos aos seus habitats naturais.



