A Dutch Design Week 2025 foi o cenário escolhido pela designer holandesa Pauline van Dongen para apresentar o Umbra Pavilion, uma instalação que redefine o vínculo entre arquitetura, energia solar e sustentabilidade.
Mais do que uma obra artística, o pavilhão é uma demonstração tangível de como os tecidos solares podem ser integrados no espaço urbano para gerar eletricidade sem comprometer a estética nem a funcionalidade.
Heliotex: uma pele solar flexível, leve e reciclada
A estrutura é composta por um dossel de 40 m² confeccionado com Heliotex, um tecido solar flexível que incorpora 150 células solares orgânicas entre fios de poliéster reciclado. Esta superfície permite capturar energia solar com uma capacidade de armazenamento de até 3.000 watts, tudo isso com um design leve, permeável à luz e visualmente impactante.
O revolucionário não é apenas a tecnologia, mas sua aplicação arquitetônica: fachadas, tetos móveis, estruturas temporárias e tecidos urbanos podem se tornar superfícies geradoras de energia.
Energia solar distribuída e arquitetura adaptável
Ao contrário dos painéis solares convencionais, o Heliotex não requer estruturas rígidas nem intervenções invasivas. Sua eficiência atual de 53 W/m² pode parecer modesta em comparação com o silício, mas aponta para espaços onde não se instalaria nada. Pesquisas recentes na Dinamarca duplicaram este número em testes experimentais, o que demonstra um potencial de melhoria real.
Esta abordagem permite reabilitar energeticamente edifícios antigos, reduzir o uso de combustíveis fósseis em eventos massivos e desenhar mobiliário urbano com autonomia energética, como marquises, estações de carga ou toldos inteligentes.

Design responsável: estética, durabilidade e respeito ambiental
O tecido solar foi desenvolvido com um enfoque integral de sustentabilidade:
- Proteção UV e resistência climática
- Retardante de fogo
- Livre de PVC e materiais tóxicos
Não basta gerar energia: é preciso fazê-lo de forma responsável e duradoura, sem hipotecar o futuro com resíduos nocivos.
Da moda à arquitetura: uma evolução natural
Van Dongen começou explorando tecidos solares em peças como sua Solar Shirt, capaz de carregar dispositivos móveis com luz solar. Hoje, essa filosofia é escalada para o design urbano, integrando energia em estruturas que se podem ver, tocar e experimentar.
O Umbra Pavilion transforma a coleta solar em uma experiência sensorial, visibilizando o uso de energias limpas em praças públicas, festivais, mercados ao ar livre e abrigos temporários.
Aplicações urbanas e consciência coletiva
- Reabilitação energética sem obras estruturais
- Arquitetura efêmera com impacto ambiental positivo
- Mobiliário urbano autossuficiente
- Educação ambiental visual e participativa
Cidades que geram: o futuro da energia urbana
O uso de tecidos solares como Heliotex propõe uma nova forma de pensar a energia: distribuída, acessível, visível e adaptada à vida cotidiana. Em um contexto de descarbonização urgente, esta tecnologia oferece soluções reais para avançar em direção a cidades que não apenas consomem, mas também contribuem.
O Umbra Pavilion não é apenas uma instalação: é um manifesto de design regenerativo, onde cada metro quadrado conta para construir um futuro mais limpo, criativo e conectado com o ambiente.



