Esta segunda-feira, Chile avançou em um projeto inédito na região, que busca exigir aos empregadores que concedam uma licença de trabalho por morte de animal de estimação.
Assim, o Chile está a caminho de se tornar um dos primeiros países da região a reconhecer o vínculo emocional entre as pessoas e seus animais de companhia.
O projeto deu um passo à frente nesta segunda-feira, quando a Câmara dos Deputados deu meia sanção ao projeto.
Agora, o Senado deverá avaliar a proposta que busca dar aos trabalhadores uma licença de trabalho de um dia por morte de um animal de estimação.

Como seria a licença de trabalho por morte de animal de estimação que o Chile analisa
O texto estabelece um dia de licença de trabalho remunerada para trabalhadores em caso de morte de seus animais de estimação ou animais de companhia.
No entanto, inclui uma condição particular: o trabalhador deverá devolver a jornada dentro de 90 dias seguintes à licença.
A licença de trabalho por morte de animal de estimação só será concedida a quem constar como dono do animal no Registro Nacional de Animais de Estimação.
Atualmente, este sistema permite apenas a inscrição de cães e gatos com microchip implantado ou código alfanumérico.
Para solicitar o benefício, o trabalhador deverá notificar o empregador exibindo a documentação que comprove o falecimento.
A licença poderá ser utilizada dentro de 5 dias seguintes à morte do animal.
O projeto considera como animais de estimação ou animais de companhia aqueles animais domésticos, qualquer que seja a sua espécie, que sejam mantidos para fins de companhia ou segurança.
Ficam excluídos animais cuja posse esteja regulada por leis especiais.

Como foi o debate na Câmara dos Deputados
A iniciativa para aprovar uma licença de trabalho por morte de animal de estimação teve 109 votos a favor, 7 contra e 6 abstenções.
Os votos negativos vieram de deputados republicanos como Cristian Araya, Juan Irarrázaval, Benjamín Moreno, Agustín Romero e Luis Sánchez, além da parlamentar UDI Flor Weisse.
Entre as abstenções contaram-se Johannes Kaiser, Leonidas Romero, Gonzalo de la Carrera, Jorge Durán, Paula Labra e Juan Fuenzalida.
Agora, o projeto passará para uma segunda instância no Senado.
José Miguel Castro, presidente da Câmara Baixa, celebrou a aprovação: “Muito felizes porque esta lei não fala de dar um benefício ao animal de estimação, é um benefício para as pessoas“.
O parlamentar acrescentou que a medida dá “sensatez e é dar um passo a mais para esta sociedade crescer”.
Também destacou que permitirá dar tranquilidade às pessoas que sentem o animal como parte de sua família.
Os defensores do projeto sustentam que busca “humanizar” o ambiente de trabalho, não fomentar o absenteísmo laboral.
Castro mencionou que ajudará as pessoas a “poder organizar suas coisas” e explicar às crianças “o que significa a passagem da vida para a morte”.
Em contraste, os detratores criticaram que “se pretenda humanizar um animal como se fosse um parente próximo”.
Argumentam que os trabalhadores já contam com licenças existentes que poderiam utilizar em caso de perder seu animal de estimação.
A iniciativa representa um reconhecimento ao vínculo emocional entre as pessoas e seus animais de companhia, embora deva enfrentar o debate no Senado antes de se tornar lei.



