Guardiões de parques e cientistas do Chile e da Argentina se unem para monitorar a rã de Darwin através de seu canto

Guardas-parques e cientistas do Chile e Argentina lançaram um programa pioneiro para monitorar a rã de Darwin (Rhinoderma darwinii) no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, utilizando seu canto característico como ferramenta de pesquisa.

Monitoramento acústico passivo: uma técnica não invasiva

A primeira atividade consistiu em instalar na floresta dispositivos automáticos de gravação, pequenos gravadores programados para registrar sons em intervalos regulares. O objetivo é captar o canto do macho da espécie, que emite uma série de assobios curtos semelhantes ao piar de um pintinho: “piii piii piii pi”.

Esta metodologia, conhecida como monitoramento acústico passivo, permite obter informações sobre a população sem perturbar os animais. Os equipamentos registram os sons de forma automática e os pesquisadores só precisam comparecer periodicamente para substituir baterias e baixar dados.

Ciência e conservação frente às mudanças climáticas

O bolsista de doutorado Maximiliano Rocchi, que aplica esta técnica em ambos os países, destacou que os registros acústicos ajudarão a compreender como as mudanças climáticas poderiam afetar a atividade reprodutiva da espécie.

Por sua vez, o guarda-parque Alexis Gajardo, líder do monitoramento em Vicente Pérez Rosales, sublinhou que esta ferramenta é essencial. Sobretudo para uma gestão efetiva dos objetos de conservação, especialmente anfíbios como a rã de Darwin.

“Este trabalho permite coletar informações valiosas não só sobre a espécie, mas também sobre as características e condições de seu habitat, contribuindo para uma gestão mais informada, adaptativa e eficiente dentro do parque”, afirmou Gajardo.

ranita de Darwin
ranita de Darwin

Uma colaboração transandina

As rãs monitoradas pertencem a duas populações descobertas em 2025, no âmbito da colaboração entre os Parques Nacionais Vicente Pérez Rosales (Chile) e Nahuel Huapi (Argentina), com assessoria técnica da ONG Rã de Darwin.

O projeto está inserido em convênios de cooperação como a Estratégia Binacional de Conservação das Rãs de Darwin e o Convênio de Parques Conjuntos Chile-Argentina, que promovem ações coordenadas para proteger espécies e reduzir ameaças comuns que transcendem fronteiras.

Um anfíbio único no mundo

A rã de Darwin mede apenas 3 cm e habita exclusivamente nas florestas chuvosas do sul do Chile e Argentina. É reconhecida mundialmente por seu modo de reprodução único: o macho incuba os ovos em seu saco vocal e os girinos se desenvolvem em sua boca, até serem liberados como pequenas rãs já formadas.

O presidente da ONG Rã de Darwin, Dr. Andrés Valenzuela-Sánchez, lembrou que esta espécie é um símbolo da biodiversidade patagônica e um “guarda-chuva” de conservação, já que sua proteção implica preservar todo o ecossistema da floresta nativa.

Importância ecológica e de conservação

  • Controle natural de pragas: regula populações de insetos em seu entorno.
  • Indicador de saúde ambiental: sua sensibilidade a torna um excelente bioindicador das florestas temperadas.
  • Papel na cadeia alimentar: é fonte de alimento para outras espécies.
  • Símbolo de conservação: sua proteção assegura a sobrevivência da floresta nativa e outras espécies associadas.

Características únicas

  • Reprodução singular: o macho cria os girinos em seu saco vocal.
  • Camuflagem perfeita: sua coloração permite que se confunda com folhas do solo.
  • Endemismo: habita unicamente nas florestas temperadas do Chile e Argentina.

O monitoramento acústico da rã de Darwin representa um avanço científico e de conservação que fortalece a cooperação binacional e oferece novas ferramentas para enfrentar as mudanças climáticas.

Este anfíbio, pequeno em tamanho mas enorme em importância ecológica, se consolida como um símbolo da biodiversidade patagônica e um lembrete da fragilidade dos ecossistemas que devemos proteger.

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