Aviso severo da ONU: as emissões de gás metano aumentarão até 2030 apesar dos compromissos globais

O mundo enfrenta um desafio crítico na luta contra a mudança climática: até 2030, as emissões de gás metano vão crescer 5% em relação aos níveis de 2020.

Assim alertou nesta segunda-feira o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Apesar dos compromissos internacionais, o Pnuma projeta que serão alcançadas 369 milhões de toneladas anuais de gás metano até 2030 se as tendências atuais forem mantidas.

O novo relatório anual foi lançado no âmbito da cúpula climática COP30 que atualmente se celebra em Belém, Brasil.

O impacto na saúde e na economia do gás metano

As consequências do aumento projetado são alarmantes, já que o gás metano é altamente poluente.

Até 2030, ocorreriam quase 24.000 mortes prematuras adicionais e um impacto econômico de 43 bilhões de dólares anuais, segundo o Pnuma.

emisiones de metano

Além disso, este aumento provocaria um incremento das temperaturas de 0,025 graus centígrados até 2050.

Embora o gás metano permaneça menos tempo na atmosfera do que o dióxido de carbono, tem um efeito 80 vezes maior sobre o aquecimento global.

Desde a revolução industrial, o gás metano foi responsável por um 30% do aumento das temperaturas.

Portanto, seu controle é hoje uma prioridade urgente para frear a crise climática.

Apesar da crise, também há avanços

Embora o Pnuma veja difícil a redução do gás metano nos próximos anos, o relatório reconhece certos progressos.

Graças a novas leis de gestão de resíduos aprovadas na Europa e nos Estados Unidos, e a uma desaceleração no uso do gás natural, as emissões serão 14 milhões de toneladas inferiores às estimadas previamente.

Neste cenário, se os países implementarem efetivamente as metas apresentadas até junho de 2025, haveria uma redução de 8% em 2030 em relação a 2020.

Emisiones globales de CO2

Isso geraria benefícios avaliados em 107 bilhões de dólares por ano e evitaria um aumento de 0,06 graus centígrados até 2050.

Até o momento, 65% das nações signatárias do Acordo de Paris registram medidas contra o metano em suas contribuições determinadas a nível nacional (NDC), um aumento de 38% em relação ao período anterior a 2020.

No entanto, esses esforços são insuficientes.

159 países se comprometeram a cortar as emissões em 30% até 2030 em relação a 2020.

O objetivo disso é manter o aumento das temperaturas abaixo de 1,5°, como estabelece o Acordo de Paris.

Para alcançar a meta de 30%, será necessário aumentar a ambição e implementar todas as medidas técnicas possíveis nos três setores que mais emitem.

“Reduzir as emissões de metano é um dos passos mais imediatos e eficazes que podemos tomar para desacelerar a crise climática e proteger a saúde”, afirmou Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma.

Os setores-chave que produzem gás metano

O setor agrícola lidera com 42% das emissões de gás metano, seguido pelo setor energético com 38% e o de resíduos com 20%.

Hoje, o custo total de implementação de todas as medidas necessárias para reduzir esses montantes seria de 127 bilhões de dólares anuais.

As medidas vão desde o controle de vazamentos em refinarias de petróleo até melhorias na produtividade dos rebanhos bovinos e mudanças no sistema de tratamento dos resíduos.

Vale ressaltar que 65% das emissões vêm dos países do G20, que reúne as economias mais avançadas do planeta.

Enquanto China é responsável por 16% do total, Estados Unidos contribui com 10%, segundo dados do Pnuma.

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