A presença de arsênico na água de consumo afeta 66 municípios da província de Buenos Aires.
Assim revelou a última atualização do levantamento realizado pelo Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA).
O estudo evidenciou um aumento considerável de casos durante o último ano.
Dos 135 partidos bonaerenses, 41 cabeças partidárias apresentam níveis de arsênico na água que as colocam em categorias de precaução ou alerta crítico.
Entre elas, 14 estão majoritariamente em vermelho, o que implica que não é apta para consumo direto nem cozimento de alimentos.
Os testes mais recentes alertam sobre uma situação delicada quanto à qualidade do líquido vital em grande parte do território provincial.

Os municípios mais comprometidos pelo arsênico na água
A Fundação Aguas, em colaboração com o ITBA, desenvolve desde 2016 o projeto “Mapa da água”, que identificou problemas de qualidade em 1.369 pontos do país.
Em zonas rurais, 25% das amostras de água subterrânea superam os limites estabelecidos para consumo seguro.
Entre os distritos bonaerenses com maior afetação encontram-se:
- Cañuelas
- Chivilcoy
- Ezeiza
- Junín
- Lobos
- Mercedes
- Monte
- Navarro
- San Vicente
- Suipacha
- Tres Arroyos
Vários destes pontos geográficos estão próximos a lagoas ou espelhos de água de grandes dimensões.
“As áreas geográficas mais afetadas por este fenômeno são o corredor da rota 5 e zonas adjacentes a Mar del Plata“, indicou Jorge Daniel Stripeikis, doutor em Química da UBA e diretor do projeto do ITBA.

Quatro milhões de pessoas em risco
Assim, o especialista identificou que cerca de quatro milhões de pessoas na Argentina poderiam estar potencialmente expostas ao arsênico através do líquido vital ou dos alimentos.
O ITBA utiliza dois intervalos de classificação. Entre 10 e 50 ppb (partes por bilhão) é considerado nível amarelo de precaução.
Neste, “o consumidor deve completar estudos para decidir se consumindo água com esses valores aumenta a possibilidade de desenvolver quadros de doenças”, sustenta a nomenclatura do estudo.
Quando o resultado supera os 50 ppb entra-se em fase crítica.
Isso implica “não consumir para ingestão direta e cozimento de alimentos. Substituir por outra fonte de água segura”, adverte o relatório do ITBA.
Casos históricos e atuais de arsênico na água
O levantamento inclui amostras do último ano e casos que remontam a mais de uma década atrás.
Em julho de 2016, o partido de Balcarce registrou um caso de alto nível de arsênico (68,5 ppb) extraído da rede de água potável.
Atualmente, a zona mostra níveis inferiores (30 ppb), dentro do tolerado pela normativa nacional de 50 ppb.
No entanto, esta amostra destacou um índice elevado em sódio (212 mg/l sobre 200 mg/l), algo usual nas zonas do interior bonaerense analisadas.
AYSA comunicou que “a água que se distribui em toda a área de concessão cumpre com os parâmetros estabelecidos e não implica nenhum risco para a saúde”.
A empresa assegurou que as concentrações de arsênico se “encontram abaixo do valor permitido pela normativa vigente”.



