Um navio arrastão vinculado à pesca ilegal proveniente da China voltou a realizar movimentos suspeitos na Plataforma Continental Argentina.
A Prefeitura Naval já detectou 148 embarcações em trânsito e estima que chegarão 500 navios estrangeiros para a próxima safra da lula.
O Lu Qing Yuan Yu 205, um pesqueiro de bandeira chinesa com antecedentes de pesca ilegal em 2016 dentro do Mar Argentino, reiterou este ano atividades de mapeamento.
A embarcação se deslocou em quadrículas sobre a Plataforma Continental, um comportamento atípico para um barco pesqueiro que sugere operações de prospecção não autorizadas.

Quatro navios da China sob suspeita de pesca ilegal
Milko Schvarzman, pesquisador marinho do Círculo de Políticas Ambientais (CPA), documentou que o Lu Qing Yuan Yu 205 não operou sozinho.
“Este barco junto a outros realizaram mapeamentos não só sobre a Plataforma Continental Argentina, mas também nas águas da Antártida“, destacou o especialista.
Os navios identificados realizando estas operações são:
- Lu Qing Yuan Yu 205
- Lu Qing Yuan Yu 206
- Long Fa
- Long Teng
Todas estas embarcações hasteiam bandeira chinesa e apresentam padrões de movimento incompatíveis com atividades pesqueiras convencionais.
O antecedente de resposta oficial preocupante
Em maio de 2023, o então Ministério da Segurança respondeu a um pedido de informação sobre o caso.
A resposta oficial indicou que o Lu Qing Yuan Yu 205 “desenvolveu suas atividades em alto-mar ou mar livre (…) sem que surgissem comportamentos que indicassem uma suposta infração à normativa pesqueira nacional”.
O documento assinado por Alejandro Salesi afirmava que o navio “se manteve operando por fora da ZEE, motivo pelo qual não se pode estabelecer de forma fidedigna o tipo de operação realizada”.

Vigilância reforçada ante nova temporada
A Prefeitura Naval, dependente do Ministério da Segurança, reforçou o monitoramento da área frente à chegada massiva de embarcações estrangeiras.
“Grandes frotas navegam de variados pontos do mundo para a área adjacente à ZEEA para desenvolver atividades de pesca“, informou a instituição.
A maioria destes navios provém do Leste Asiático, especialmente de China, Coreia do Sul e Taiwan.
Estas frotas percorrem milhares de milhas até alcançar a “Milha 201”, o limite onde começa o alto-mar junto ao Mar Argentino.
A chegada destas embarcações estrangeiras representa uma pressão significativa sobre os recursos pesqueiros argentinos.
Estes navios operam no limite exato do Mar Argentino, capturando espécies como a lula que migram entre a zona exclusiva e o alto-mar.
A pesca intensiva na “Milha 201” afeta diretamente a sustentabilidade das populações de peixes que a Argentina administra dentro de sua ZEE.
Além disso, atividades como o mapeamento do leito marinho podem revelar informações estratégicas sobre recursos naturais, topografia submarina e rotas de espécies comerciais.
Por isso, ano após ano, a Prefeitura implementa um “patrulhamento periódico e planejado” de seus meios de superfície e aéreos, além do Sistema Guardacostas, uma plataforma tecnológica desenvolvida internamente para controle e vigilância marítima.

O dilema da Plataforma Continental
A Plataforma Continental argentina se estende além da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Um navio estrangeiro pode pescar nela legalmente, mas sem tocar ou afetar o leito marinho.
O mapeamento realizado por embarcações de outro país constitui, no mínimo, uma ação pouco amigável ou potencialmente hostil. Especialmente quando realizado sem consulta prévia às autoridades argentinas.
A temporada de lula para barcos de bandeira nacional se abrirá em 2 de janeiro ao sul do paralelo 49 e em 12 de janeiro ao sul do paralelo 44.
Enquanto isso, as frotas estrangeiras operam sem restrições nas áreas adjacentes.
Os dados recentes do setor pesqueiro argentino mostram resultados positivos: em outubro a exportação alcançou u$s 223 milhões.
Assim, acumula u$s 1717 milhões em dez meses, com mais de 47.600 toneladas capturadas para todas as espécies.



