A crise nos Parques Nacionais se aprofunda e, hoje, a falta de pessoal atinge níveis críticos, com Bariloche como um dos pontos-chave mais afetados.
Nesse sentido, a Associação Trabalhadores do Estado (ATE) expressou sua preocupação com o esvaziamento de áreas.
Além disso, alertaram sobre a impossibilidade de cumprir com as tarefas de conservação em um dos nós mais importantes do país.
O sindicato denunciou que as áreas de Parques Nacionais em Bariloche perderam 20% de seu quadro de trabalhadores.
Segundo informou El Cordillerano, cinquenta funcionários deixaram seus cargos entre demissões, renúncias, aposentadorias e retiradas desde a chegada de Javier Milei ao poder.
A situação afeta diretamente o Parque Nacional Nahuel Huapi, o primeiro de seu tipo na Argentina e o segundo em extensão, com 717.000 hectares sob proteção.

As áreas críticas de Parques Nacionais sem cobertura
A crise nos Parques Nacionais impactou em múltiplas áreas estratégicas que operam a partir de Bariloche.
O corpo de delegados da ATE Parques Nacionais detalhou que, no final de 2023, existiam duzentos e setenta cargos de trabalho na cidade.
Os delegados apontaram que esse número já era “muito menor do que o necessário” para realizar as tarefas com a eficiência esperada e preservar o patrimônio natural e cultural.
No entanto, muitos desses cargos também foram cortados, afetando áreas-chave como:
- A Direção Regional Patagônia Norte: instância técnica de conservação em toda a norpatagônia
- A Direção de Combate a Incêndios Florestais e Emergências: logística e planejamento nacional diante de incêndios
- Coordenação Sul de Infraestrutura: com trabalho em toda a Patagônia
- A Direção Regional Sul de Operações: com alcance patagônico
O impacto da política expulsiva e do congelamento salarial
Desde sua posse, o governo de Javier Milei executou reduções de pessoal em órgãos nacionais, e Parques Nacionais não escapou a essa política, com impacto especial em Bariloche.
“Às demissões e aposentadorias somou-se uma política expulsiva sustentada de congelamento salarial a salários que já vinham se depreciando de maneira contínua durante os últimos dez anos”, expuseram da ATE em diálogo com El Cordillerano
Dado que os cargos vagos não foram preenchidos por novo pessoal, as tarefas são realizadas parcialmente com sobrecarga para aqueles que continuam no órgão, estendendo prazos e diminuindo a capacidade de resposta.

As reivindicações urgentes de Parques Nacionais
Da ATE reclamaram a contratação imediata de mais pessoal para cobrir os cargos vagos.
“Precisamos de mais guarda-parques para garantir no território a presença institucional, a fiscalização e a conservação”, afirmaram.
O sindicato também demandou mais profissionais para cobrir a demanda de análises técnicas em campo e escritórios sobre flora, fauna e impacto ambiental.
Além disso, com o início da temporada de incêndios, a situação se torna crítica.
“Precisamos com desesperada urgência ainda mais brigadistas para uma temporada que na Patagônia Norte se prevê extremamente complexa“, advertiram.
A crise se desenvolve em um contexto onde foram registrados incêndios de altíssima propagação, inclusive no centro urbano de Bariloche.
Entre as reivindicações específicas estão:
- mais orçamento para contratações;
- aumentos salariais;
- a aplicação de um plus compensatório;
- a abertura de negociações setoriais, e;
- renovações anuais de contratos.
“Nos Parques Nacionais falta pessoal, falta estabilidade, faltam salários dignos“, sentenciaram do sindicato.
E destacaram a importância de seu papel: “Parques Nacionais é um órgão fundamental para a proteção de nossos bens comuns e o ambiente“.



