Argentina receberá drones do Japão para conter a pesca ilegal chinesa

O Japão lançou um programa de assistência para combater a pesca ilegal chinesa em águas sul-americanas, com o qual ajudará a Argentina.

Em particular, a nação nipônica equipará tanto a Argentina quanto outros três países com drones de vigilância e tecnologia avançada.

Para isso, o Ministério das Relações Exteriores japonês destinará 300 milhões de ienes (u$s 1,9 milhões) para reforçar a patrulha marítima no Equador, Peru, Argentina e Uruguai.

Atualmente, preocupam as frotas pesqueiras chinesas que operam com transponders GPS desligados em águas internacionais próximas a esses países.

Essa prática ilegal dificulta o rastreamento de embarcações e gera suspeitas de pesca não declarada e mapeamento do leito marinho.

Pesca ilegal. Foto: Unsplash.

Tecnologia de ponta para identificar embarcações da pesca ilegal chinesa

A iniciativa, implementada através do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, inclui barcos patrulha infláveis e equipamentos especializados.

Esses sistemas analisam imagens capturadas por drones para identificar o registro de embarcações, o tamanho das tripulações e as rotas que seguem os navios.

Quando uma frota pesqueira desativa o rastreamento GPS, determinar a trajetória e o número de embarcações envolvidas torna-se extremamente difícil.

Tomar medidas de aplicação requer capacidades superiores de guardas costeiras, das quais muitos países sul-americanos carecem.

Como é a presença chinesa em águas sul-americanas

As frotas chinesas mantêm presença ativa em águas ao redor das Ilhas Galápagos do Equador.

Com seus transponders GPS aparentemente desligados, essas frotas navegam em direção ao sul, em frente às costas do Peru e Chile.

No Atlântico, foi confirmada atividade de frotas chinesas em águas próximas à Argentina e Uruguai.

Na Argentina, a atividade pesqueira passou de 61.727 horas por cada 500 quilômetros quadrados em 2013 para 384.046 horas em 2023 na zona conhecida como “Milha 201”, segundo dados do Global Fishing Watch.

A Prefeitura Naval Argentina informou recentemente que reforçou o monitoramento de “mais de 500 navios pesqueiros estrangeiros que chegarão à Milha 201 na próxima safra da lula”.

A maioria provém de China, Coreia do Sul e Taiwan.

pesca ilegal

As atividades suspeitas e os abusos trabalhistas

Pesquisadores locais denunciaram atividades suspeitas de mapeamento da Plataforma Continental Argentina por parte de navios chineses.

O arrastão Lu Qing Yuan Yu 205, que em 2016 realizou pesca ilegal dentro do Mar Argentino, foi detectado este ano realizando movimentos em quadrículas que sugerem prospecção do fundo marinho.

No Equador, o episódio de maior tensão ocorreu em 2017, quando as autoridades capturaram o cargueiro chinês Fu Yuan Yu Leng 999 dentro da reserva marinha de Galápagos carregado com 6.623 tubarões de diversas espécies.

Também surgiram preocupações sobre possíveis abusos aos direitos humanos de trabalhadores em embarcações pesqueiras ilegais.

Esses trabalhadores, muitos do Sudeste Asiático, enfrentam longas jornadas em condições difíceis em barcos sem controle de temperatura.

O governo japonês busca apoiar países que enfrentam problemas similares. Os navios pesqueiros chineses também operam ilegalmente no Banco de Yamato do Mar do Japão.

Intensificar a aplicação de medidas contra as frotas pesqueiras ilegais na América do Sul poderia ajudar a proteger esses trabalhadores, proporcionando uma oportunidade para que o Japão reforce relações com países do Sudeste Asiático.

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