A legisladora provincial Magdalena Odarda, do bloco Vamos com Todos, apresentou um pedido de informações ao Ministério do Interior devido à crescente presença de capitais e autoridades dos Emirados Árabes Unidos em zonas estratégicas da província de Río Negro.
Nos últimos dias, dois aviões provenientes dos Emirados chegaram a San Carlos de Bariloche, transportando contingentes de cidadãos estrangeiros. Além disso, foi confirmada a próxima visita do presidente emiradense Mohamed bin Zayed Al Nahyan, com o objetivo de avançar na compra de extensas superfícies de terras na região.
Transparência e soberania
Odarda advertiu que não se trata de uma visita protocolar, mas de operações concretas de aquisição de terras em áreas sensíveis, algumas abrangidas pelo regime de segurança de fronteiras. Ela destacou que essas compras são projetadas em zonas de alto valor estratégico de Río Negro, vinculadas a infraestrutura crítica e recursos naturais, e lembrou que a legislação vigente exige conformidade prévia obrigatória segundo o Decreto Lei 15.385, a Lei de Defesa Nacional e a Lei 26.737 de Terras Rurais.
A legisladora sublinhou ainda a coincidência entre energia, território e capitais estrangeiros: “As compras de terras são projetadas na mesma província onde está prevista a chegada dos navios que transportarão Gás Natural Liquefeito (GNL), o que torna Río Negro uma peça central da estratégia energética nacional”.

Riscos de fraude e simulação
Odarda alertou sobre a possível utilização de pessoas físicas ou jurídicas como interpostas pessoas, uma prática proibida que poderia constituir fraude ao Estado argentino. “Se for comprovado que essas operações foram realizadas iludindo controles ou mediante estruturas opacas, estaríamos diante de uma grave violação da soberania e da segurança nacional”, afirmou.
Finalmente, foi categórica: “A Patagônia não é uma zona liberada nem um território disponível para negociações opacas. O Estado nacional tem a obrigação indelegável de controlar quem compra terras, onde e com que fins”.
A problemática da estrangeirização de terras
A venda de terras a estrangeiros na Patagônia é uma questão crítica que afeta a soberania nacional, o acesso a recursos naturais e os direitos de comunidades locais. Os principais pontos de conflito incluem:
- Impacto na soberania e no meio ambiente: a aquisição em zonas fronteiriças gera preocupação pela perda de controle estatal em áreas chave como florestas, rios e geleiras.
- Marco legal e desregulamentação: embora a lei limite a posse estrangeira a 15% do território, a flexibilização de regulações intensificou a compra e venda.
- Conflitos com comunidades originárias: as operações costumam se sobrepor a territórios ancestrais mapuches, provocando desapropriações e tensões sociais.
- Mudança de uso do solo: terras produtivas se transformam em reservas de caça, reservas privadas ou paraísos turísticos, restringindo o acesso público.
- Suspeitas de fraude: denunciam-se manobras como triangulação de fideicomissos e uso de testas de ferro para ocultar a identidade dos compradores.
A situação em Río Negro reflete o dilema entre a necessidade de investimento e a proteção da soberania nacional. A presença de capitais estrangeiros em áreas estratégicas, somada à coincidência com projetos energéticos chave, transforma a região em um cenário de alta tensão.
O pedido de informações de Odarda busca garantir transparência e controle estatal frente a um fenômeno que coloca em debate o futuro do território patagônico.



