A recente aprovação preliminar da reforma da Lei de Geleiras no Senado para flexibilizar a proteção de áreas congeladas desperta alarmes por possíveis infrações às cláusulas ambientais do tratado transatlântico.
A reforma da Lei de Geleiras na Argentina gerou um intenso debate que transcende as fronteiras nacionais, posicionando-se como um potencial obstáculo para a ratificação definitiva do acordo UE-Mercosul.
O projeto, que já conta com o aval da Câmara Alta, busca redefinir os limites das zonas protegidas para incentivar investimentos no setor minerador.
No entanto, especialistas em direito ambiental e organismos internacionais alertam que esta modificação legislativa poderia ser interpretada como um retrocesso nos padrões de conservação, contrariando os compromissos de sustentabilidade exigidos pela União Europeia para o livre comércio.
O núcleo da controvérsia reside na transferência de competências para as províncias determinarem quais áreas periglaciais devem ser preservadas.
Enquanto o Executivo nacional sustenta que esta medida oferece “segurança jurídica” para projetos que prometem desembolsos próximos a 30 bilhões de dólares —principalmente na extração de cobre—, os setores críticos apontam que se coloca em risco o fornecimento de água doce.
Reforma da Lei de Geleiras
Esta reforma da Lei de Geleiras colide diretamente com o princípio de “não regressão” ambiental, um pilar fundamental nas negociações com o bloco europeu, que endureceu seus requisitos após a implementação do Pacto Verde.
No âmbito diplomático, o avanço desta normativa coincide com o esforço do governo de Javier Milei para acelerar a integração comercial com a Europa. No entanto, a contradição técnica entre fomentar a abertura de mercados e reduzir a proteção de ecossistemas críticos poderia reativar as resistências de países como França e Áustria. Esses estados membros da UE manifestaram historicamente suas reservas sobre o acordo UE-Mercosul baseando-se na falta de garantias ecológicas por parte dos parceiros sul-americanos.
A tensão entre o desenvolvimento extrativo e a diplomacia ambiental definirá o futuro das exportações argentinas.
Se a reforma da Lei de Geleiras se tornar finalmente lei sem ajustes que garantam a integridade dos recursos hídricos, o país poderá enfrentar dificuldades legais nos tribunais internacionais de justiça, complicando o acesso preferencial a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores que priorizam, cada vez mais, a rastreabilidade ecológica de suas importações.




