Neste fim de semana começou uma nova remada em defesa do rio Paraná, uma iniciativa impulsionada por organizações socioambientais que alertam sobre os riscos de novas intervenções no curso do rio. A travessia busca visibilizar o impacto ecológico que poderiam gerar projetos de dragagem e mudanças na gestão do sistema fluvial.
O percurso, denominado “Salvemos o Paraná e seus pântanos”, começou no chamado quilômetro 0, perto da Ilha do Cerrito, na província de Chaco. De lá, os participantes iniciaram uma travessia que percorrerá aproximadamente 800 quilômetros rio abaixo durante 14 dias.
Inicialmente, as embarcações deveriam partir de Las Palmas, também em Chaco. No entanto, as condições climáticas obrigaram a modificar o ponto de partida para garantir a segurança dos participantes.
A iniciativa foi impulsionada pelo Fórum pela recuperação do Paraná e conta com a participação de organizações ambientais, sociais, sindicais, culturais e estudantis provenientes de diferentes províncias do litoral. Além disso, o percurso busca unir territórios e fortalecer o debate sobre o futuro ambiental de um dos rios mais importantes da América do Sul.

Preocupação ambiental por projetos de dragagem no rio
A principal reivindicação das organizações participantes está relacionada com o projeto de aprofundar a dragagem do rio até 44 pés para facilitar a entrada de grandes navios de carga destinados à exportação de grãos.
Segundo alertam os grupos ambientais, essa intervenção poderia alterar significativamente o funcionamento natural do ecossistema fluvial. Por essa razão, consideram necessário avaliar seus impactos antes de avançar com obras de grande escala.
Atualmente, a dragagem do rio se mantém em aproximadamente 36 pés. No entanto, mesmo com essa profundidade já foram registrados mudanças na dinâmica do sistema hídrico. Entre os efeitos apontados estão o bloqueio de bocas de água, a redução de lagoas e riachos, e a alteração de áreas que funcionam como refúgio e reprodução de peixes.
Em consequência, especialistas e organizações sociais sustentam que qualquer modificação adicional deve contemplar estudos ambientais rigorosos e um planejamento que priorize a conservação do ecossistema.
Os pântanos do Paraná e seu valor ecológico
Os pântanos associados ao rio Paraná formam um dos sistemas ecológicos mais importantes da América do Sul. Esses ambientes funcionam como reguladores naturais da água e como reservatórios de biodiversidade.
Além disso, atuam como filtros naturais que ajudam a melhorar a qualidade da água e reduzem o impacto de inundações. Graças à sua estrutura natural, também contribuem para armazenar carbono e moderar os efeitos das mudanças climáticas.
Nesses ecossistemas habita uma enorme diversidade de espécies de peixes, aves, répteis e mamíferos. Ao mesmo tempo, muitas comunidades locais dependem desses ambientes para atividades tradicionais como a pesca artesanal.
Além disso, os pântanos desempenham um papel chave nos ciclos de reprodução de numerosas espécies aquáticas. Por isso, qualquer alteração do fluxo natural do rio pode afetar diretamente o equilíbrio ecológico de toda a região. Proteger esses ambientes tornou-se uma prioridade para cientistas e organizações ambientais que trabalham na conservação do litoral argentino.

Uma mobilização que combina cultura, história e ambiente
O início da travessia reuniu representantes de organizações, moradores e referências ambientais de diversas localidades de Chaco, Corrientes, Formosa, Entre Ríos e Santa Fe. A jornada também contou com uma importante participação de jovens.
Durante o encontro foram realizadas atividades culturais, exposições informativas e espaços de debate sobre o futuro do rio e a importância de preservar seus ecossistemas. Além disso, os participantes visitaram o museu local para conhecer aspectos históricos da região.
Ao longo da jornada foram compartilhadas refeições comunitárias e desenvolvidas apresentações sobre a importância do Paraná como patrimônio natural e cultural. Além disso, foram realizadas atividades vinculadas à comemoração do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.



