Reforma da Lei de Geleiras: denunciam que é “uma farsa” e pedem a nulidade da audiência pública

A discussão sobre a reforma da Lei de Geleiras somou um novo capítulo de tensão. A física e ex-titular da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) Adriana Serquis confirmou que, junto a deputados e deputadas, apresentaram uma impugnação formal contra a audiência pública realizada no Congresso, à qual qualificou diretamente como “uma farsa”.

“Estamos apresentando uma impugnação que foi apresentada ao presidente antes de começar a audiência”, explicou Serquis, em diálogo com Víctor Hugo Morales na Radio 750.

Segundo detalhou, uma das principais críticas é a falta de participação real: “Não sabemos nem sequer até o dia de hoje como foram selecionados aqueles que puderam participar. Vemos que é o 0,3% da quantidade de pessoas inscritas”, denunciou.

Ley de Glaciares

Audiência pública pela reforma da lei

Para a ex-titular da CNEA, a audiência também não cumpriu com critérios essenciais como a transparência e o caráter deliberativo. “Está restringindo a oralidade e o debate.

Não garante a participação efetiva nem a razoabilidade do processo”, sustentou, e enumerou uma série de “vícios” que, a seu ver, invalidam completamente a instância.

Nesse sentido, também advertiu que estão sendo violados princípios fundamentais em matéria ambiental. “Não está sendo garantido o princípio de não regressão, que deveria assegurar que não haja retrocessos na proteção do ambiente”, assinalou.

Serquis sublinhou ainda o caráter não vinculante das audiências públicas, o que limita seu impacto real na tomada de decisões. No entanto, apelou à responsabilidade política dos legisladores:

“Esperamos que aqueles que vão votar possam ter um pouco de vergonha e que o esforço da população para se fazer ouvir influencie no momento de decidir”, assinalou.

A cientista foi além e levantou uma preocupação de fundo sobre o funcionamento institucional. “Estamos perdendo grande parte da democracia.

Em um lugar onde deveria ser celebrado um ato democrático está sendo feito tudo o contrário”, afirmou.

Finalmente, sustentou que o objetivo imediato é visibilizar o que consideram um processo irregular: “Nossa função é tornar o mais claro possível o que está nos acontecendo. Por isso estamos denunciando”, concluiu.

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