Após meses de recuperação no Centro de Resgate da Fundação Mundo Marino, quinze exemplares —treze pinguins-de-magalhães e dois pinguins-saltadores— foram devolvidos ao seu habitat natural em San Clemente del Tuyú.
Os animais foram encontrados entre junho de 2025 e março de 2026 em diversos pontos do litoral bonaerense com quadros de saúde críticos.
Causas do resgate e estado de saúde
A maioria dos exemplares ingressou com desnutrição e desidratação, componentes principais do “síndrome do pinguim encalhado”.
Este fenômeno afeta principalmente indivíduos juvenis durante sua primeira migração trófica, que, ao não encontrar alimento suficiente, perdem reservas energéticas vitais.
Além da má nutrição, os especialistas relataram casos complexos:
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Lesões por atividade humana: Feridas compatíveis com redes de pesca e ataques de cães.
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Contaminação por hidrocarbonetos: Um exemplar chegou coberto de óleo. O petróleo danifica a microestrutura das penas, impedindo a impermeabilidade necessária para manter o calor corporal, o que leva à hipotermia. Sua recuperação exigiu uma lavagem especializada e um processo de preen para restaurar sua barreira térmica natural.
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Muda incompleta: Devido à falta de energia, alguns exemplares não conseguiram completar sua muda de penas, comprometendo gravemente seu isolamento térmico.
Processo de recuperação e reinserção
O tratamento no centro incluiu fluidoterapia, uma dieta progressiva baseada em peixe com suplementos vitamínicos, e monitoramento constante através de análises de sangue. Para garantir um acompanhamento a longo prazo, a cada pinguim foi colocado um microchip subcutâneo.
A reinserção grupal foi estratégica: abril marca o início da temporada migratória. Os pinguins-de-magalhães, por serem uma espécie gregária, dependem da colônia para se orientar e se proteger de predadores.
Ao serem liberados nesta data, têm maiores probabilidades de se integrarem aos grupos que migram para o norte seguindo os cardumes de anchova.
Contexto das espécies
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Pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus): Catalogado como de “menor preocupação” pela UICN. Seu ciclo anual implica uma viagem migratória de até 5.000 quilômetros desde a Patagônia até o Brasil.
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Pinguim-saltador (Eudyptes chrysocome): Espécie categorizada como “Vulnerável” a nível global e “Em Perigo” na Argentina. Sua presença nas costas bonaerenses é excepcional, e sua população enfrenta ameaças críticas pelo mudança climática, a sobrepesca e a contaminação marinha.
Este esforço de conservação foi possível graças à articulação da Rede de Resgate de Fauna Marinha, que integra fundações, guardiões de parques, forças de segurança e vizinhos comprometidos com a proteção da biodiversidade costeira.



