Chile lidera um ranking negativo da ONU: possui o aterro de lixo mais poluente do mundo

Chile ficou em primeiro lugar em uma lista global elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA): o aterro de Tiltil, ao norte de Santiago, lidera a lista dos 50 locais de origem humana com maiores emissões de metano. Segundo o relatório, este aterro emite mais de 100.000 toneladas de metano por ano, superando até mesmo instalações industriais de petróleo e gás em outras regiões do planeta.

O estudo, baseado em dados de cerca de 30 satélites, também identificou outro aterro chileno entre os dez maiores emissores globais, o que evidencia o impacto da gestão de resíduos na crise climática.

O metano e seu impacto

O metano é um gás de efeito estufa com um poder de aquecimento até 80 vezes maior que o dióxido de carbono a curto prazo. Nos aterros, é produzido pela decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos — restos de comida, papel, papelão e resíduos de jardim — realizada por bactérias.

Este processo converte a matéria orgânica em uma mistura de metano e dióxido de carbono, que é liberada na atmosfera e acelera a mudança climática.

Vozes locais sobre a gestão de resíduos

Para Gianfranco Ghirardelli, fundador de La Caja Verde, o problema não está apenas nos aterros, mas em como os resíduos são geridos desde a sua origem:

  • “A correta gestão de resíduos, especialmente os orgânicos, tornou-se uma urgência global”.
  • “As empresas devem se responsabilizar por todos os resíduos que geram, não apenas pelos produtos prioritários definidos pela Lei REP”.

Como exemplo, Ghirardelli destacou o trabalho em estabelecimentos educacionais, onde os restos de comida de refeitórios escolares são retirados periodicamente e transformados em composto, que depois é utilizado nas áreas verdes das próprias escolas.

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O aterro de Tiltil no Chile gera mais de 100.000 toneladas de metano por ano.

Problemas dos aterros

O relatório do PNUMA e outros estudos internacionais apontam que os aterros geram múltiplos impactos:

  • Contaminação atmosférica: emissões de metano e CO₂ que aceleram a mudança climática.
  • Contaminação de água e solo: os lixiviados tóxicos infiltram-se em lençóis freáticos.
  • Riscos à saúde pública: proliferação de pragas e doenças respiratórias.
  • Impacto paisagístico e risco de incêndios: especialmente em lixões a céu aberto, comuns na América Latina.

A gestão ineficiente de resíduos custa mais de 600 bilhões de dólares anuais, segundo o PNUMA 2024.

Situação global e regional

A International Solid Waste Association identificou que dos 50 aterros mais poluentes do mundo, 13 estão na América Latina e no Caribe, incluindo países como Peru, Brasil, Bolívia, Guatemala, Nicarágua, República Dominicana, Honduras e Haiti.

Além disso, a ONU adverte que a poluição por plásticos reduz a capacidade dos ecossistemas de se adaptarem à mudança climática, reforçando a necessidade de uma transição para a economia circular.

O caso de Tiltil reflete a urgência de repensar a gestão de resíduos no Chile e na região. A separação de orgânicos, a compostagem e a valorização de resíduos são ferramentas-chave para reduzir as emissões de metano e mitigar a crise climática. A ONU insiste que romper a dependência dos aterros é essencial para avançar em direção a cidades mais sustentáveis e resilientes.

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