Pesquisadores da Universidade de Melbourne desenvolveram um método inovador para estudar os tubarões lança de nariz rombo (Glyphis glyphis), uma espécie em perigo de extinção. A técnica combina lasers e espectrometria de massas para analisar as vértebras dos tubarões e obter informações precisas sobre sua idade e os ambientes que atravessaram durante sua vida.
Até agora, os biólogos estimavam a idade dos tubarões observando bandas circulares em suas vértebras, semelhantes aos anéis das árvores. No entanto, este critério se mostrava pouco confiável em espécies raras como o tubarão lança.
Como funciona o método
A nova técnica utiliza ablação a laser acoplada a espectrometria de massas com plasma induzido (LA-MC-ICP-MS):
- O laser converte uma diminuta parte da vértebra em aerossol.
- Esse material é analisado para detectar sua composição química.
- Elementos como o estrôncio refletem as condições da água em que o tubarão viveu, permitindo reconstruir sua história ambiental.
Ao comparar os dados com registros de chuva e estações úmidas ou secas, os cientistas conseguiram vincular os sinais químicos com os ambientes aquáticos que a espécie habita.
Uma espécie única e vulnerável
O tubarão lança de nariz rombo vive em rios e estuários da Austrália e Papua Nova Guiné. Sua população adulta é estimada em apenas 2.500 exemplares, o que o torna um dos tubarões mais raros e ameaçados do mundo.
Fatores críticos de conservação:
- Em perigo de extinção: figura na Lista Vermelha da UICN.
- Predador de topo: regula populações de peixes menores e mantém o equilíbrio trófico.
- Alta vulnerabilidade: morre frequentemente como captura incidental em redes de pesca e armadilhas para caranguejos.
- Habitat restrito: sensível à degradação por poluição e desenvolvimento humano.
- Biologia única: capaz de viver em água doce e salgada, adaptando-se a diferentes salinidades.
- Recuperação lenta: reprodução limitada e poucas crias, o que dificulta a recuperação populacional.

Impacto da pesquisa
Conhecer a idade real e os ambientes percorridos por esses tubarões é essencial para:
- Medir a saúde da população.
- Desenhar estratégias de conservação mais precisas.
- Evitar diagnósticos errôneos sobre seu estado de vulnerabilidade.
O estudo demonstra que a união de ótica, geoquímica e ecologia marinha pode oferecer ferramentas inovadoras para proteger espécies ameaçadas.
A pesquisa australiana quebra as regras tradicionais da biologia e abre um caminho para a conservação de um dos tubarões mais raros do planeta e em perigo de extinção. Cada indivíduo dessa espécie é crucial para sua sobrevivência, e o uso de tecnologia a laser permite obter dados inéditos que podem fazer a diferença em sua proteção.



