Pinguins-de-Magalhães: levantamento nacional revela mais de 1,3 milhões de casais ativos

Pesquisadoras do CONICET realizaram um monitoramento exaustivo de 65 colônias de pinguins de Magalhães desde Río Negro até Tierra del Fuego e as Ilhas Malvinas.

O estudo, liderado pelo Centro Nacional Patagônico (CENPAT), derrubou o mito de uma baixa generalizada da espécie e revelou um sistema dinâmico com colônias em expansão.

O resultado surpreendeu: foram contabilizados 1,34 milhões de pares ativos na Argentina, com uma tendência positiva a longo prazo e um incremento anual médio próximo a 2%.

Colônias em expansão e redistribuição

O trabalho mostrou que a população não é homogênea:

  • Colônias grandes como Punta Tombo atravessam um retrocesso.
  • Colônias novas e pequenas apresentam altas taxas de crescimento.
  • Foi identificada uma redistribuição de indivíduos entre colônias, o que responde a uma dinâmica metapopulacional.

A espécie ampliou sua distribuição reprodutiva para o norte, sendo Islote Lobos a colônia mais setentrional do país.

Metodologia aplicada

A equipe reuniu informações de 73 colônias reprodutoras a partir de literatura científica, relatórios técnicos, teses e monitoramentos oficiais e não governamentais. Para a análise final foram selecionadas 65 colônias com pelo menos dois anos de dados de abundância.

Foram aplicadas duas abordagens estatísticas:

  • Método ponderado simples: visão geral de toda a costa.
  • Abordagem bayesiana empírica: análise detalhada em colônias com séries históricas mais completas.
pinguins de Magalhães
Um estudo revolucionário revela que a população de pinguins de Magalhães cresce a um ritmo médio de dois por cento anual.

Um sistema amplo e dinâmico

A pesquisadora Jésica Hombre destacou que o panorama nacional é heterogêneo: “O que ocorre em uma região não sempre representa o que acontece em toda a costa. Há colônias novas que são pequenas e têm boa taxa de crescimento”.

O estudo demonstra que os pinguins de Magalhães não se limitam a algumas poucas colônias icônicas, mas integram um sistema amplo com troca constante de indivíduos.

Importância para a conservação

O levantamento oferece uma base sólida para desenhar estratégias de conservação:

  • Espécie sentinela: suas variações populacionais refletem mudanças no ecossistema marinho, disponibilidade de alimentos e condições do mar.
  • Planejamento territorial: permite identificar colônias em declínio, em expansão e aquelas que requerem maior monitoramento.
  • Conservação prioritária: define setores estratégicos onde focar esforços de proteção.

O estudo nacional sobre os pinguins de Magalhães revela uma população globalmente estável e em crescimento, com mais de 1,3 milhões de pares ativos. Embora algumas colônias atravessem retrocessos, outras mostram expansão, confirmando que a espécie funciona como um sistema dinâmico.

Esta descoberta reforça a necessidade de monitoramento integral e de políticas de conservação que contemplem a diversidade de cenários ao longo da costa patagônica e das Ilhas Malvinas.

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