A presença de um triângulo com um número na base de garrafas e embalagens plásticas costuma ser interpretada como um sinal de que esse objeto pode ser reciclado. No entanto, especialistas em gestão de resíduos alertam que essa crença é incorreta e que constitui uma das principais causas de erros durante a separação domiciliar.
Na realidade, o símbolo numérico de 1 a 7 identifica o tipo de resina plástica utilizada para fabricar a embalagem. Sua finalidade é facilitar a classificação dos materiais durante os processos industriais e não indicar se o produto será aceito pelos sistemas locais de reciclagem.
Essa diferença é fundamental para melhorar a recuperação de resíduos e evitar que materiais incompatíveis ingressem nas plantas de tratamento, onde podem afetar o funcionamento de toda a cadeia de reciclagem.

O erro que dificulta a reciclagem de milhares de embalagens
A confusão gerou uma prática conhecida como “wishcycling”, que consiste em depositar nos contêineres de recicláveis qualquer objeto que aparente ser recuperável apenas por levar o símbolo do triângulo.
Embora a intenção busque favorecer o cuidado ambiental, essa conduta costuma produzir o efeito contrário. Quando se misturam materiais que não são aceitos com aqueles que podem ser reciclados, aumenta a contaminação dos resíduos e diminui a eficiência do processo de recuperação.
Por esse motivo, os especialistas recomendam consultar sempre quais são os materiais aceitos por cada município ou cooperativa recicladora, já que as possibilidades de reciclagem variam conforme a infraestrutura disponível em cada região.
Cada tipo de plástico requer um tratamento diferente
Os códigos de identificação permitem distinguir as diferentes resinas utilizadas na fabricação de embalagens. Entre elas, o PET (1), presente em garrafas de bebidas e alguns recipientes alimentares, figura entre os materiais com maiores índices de recuperação.
Também o HDPE (2), empregado em embalagens de leite, produtos de limpeza e cosméticos, costuma fazer parte dos programas de reciclagem mais difundidos devido à sua facilidade de processamento.
Em contrapartida, materiais como o PVC (3), o LDPE (4), o polipropileno (5), o poliestireno ou isopor (6) e os plásticos mistos agrupados sob o código 7 apresentam maiores dificuldades para sua recuperação ou dependem de instalações específicas que não estão disponíveis em todas as cidades.

Como são classificadas as embalagens plásticas para reciclagem
A classificação internacional das embalagens plásticas utiliza um sistema de sete códigos de identificação que facilita a separação industrial dos materiais. O número 1 corresponde ao PET; o 2 ao HDPE; o 3 ao PVC; o 4 ao LDPE; o 5 ao polipropileno; o 6 ao poliestireno e o 7 agrupa plásticos mistos ou outras resinas que não se encaixam nas categorias anteriores.
Essa identificação não estabelece o grau de reciclabilidade da embalagem, mas apenas o tipo de polímero utilizado durante sua fabricação. Por isso, uma embalagem identificada com qualquer um desses números pode ou não ser aceita pelos sistemas locais de recuperação, dependendo da tecnologia disponível.
Compreender essa classificação permite separar melhor os resíduos, reduzir a contaminação dos materiais recicláveis e fortalecer a economia circular. Além disso, favorece um aproveitamento mais eficiente dos recursos, diminui a quantidade de resíduos enviados a aterros sanitários e contribui para reduzir o impacto ambiental gerado pelos plásticos de uso único.



