Pesticidas: um perigo para as abelhas sem ferrão?

Os pesticidas representam uma ameaça significativa para as abelhas sem ferrão, ou meliponinos, devido à sua exposição direta e indireta em ambientes agrícolas. Embora exista uma abundante pesquisa sobre os efeitos dos pesticidas na abelha comum (Apis mellifera), o impacto nas abelhas sem ferrão foi muito menos estudado, apesar de que essas espécies são fundamentais para a polinização de cultivos como o cacau, o café e diversas frutas em regiões tropicais e subtropicais.

Uma análise recente revelou que, entre 2000 e 2024, apenas foram publicados 144 estudos sobre o impacto de pesticidas nos meliponinos, em comparação com milhares de pesquisas realizadas sobre Apis mellifera. Estes estudos, realizados principalmente na América Latina e, particularmente, no Brasil, abrangem apenas 43 das mais de 600 espécies conhecidas de meliponinos. Além disso, apenas foram avaliados 79 dos 3.400 pesticidas registrados.

Os pesticidas podem causar efeitos letais e subletais nos meliponinos. Estes últimos incluem mudanças no comportamento, perda de orientação e alterações na divisão do trabalho dentro da colônia. Tais impactos comprometem a sobrevivência das colônias e sua capacidade de polinizar eficientemente. Ao contrário de Apis mellifera, os meliponinos têm diferenças biológicas e de comportamento que podem torná-los mais vulneráveis a certos compostos químicos, mas essa variabilidade não é considerada nas avaliações de risco atuais.

A regulação de pesticidas em países latino-americanos geralmente se baseia em regulamentos internacionais que não consideram os meliponinos. Por exemplo, organismos como a Agência de Proteção Ambiental dos EUA ou a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar concentram suas avaliações em espécies locais, ignorando os polinizadores nativos de regiões tropicais. Isso pode resultar em um maior risco para as abelhas sem ferrão e outros polinizadores locais.

las abejas
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Recomendações e ações necessárias para proteger as abelhas sem ferrão

O estudo destaca a necessidade de:

  1. Ampliar as pesquisas toxicológicas que incluam testes de exposição crônica e efeitos subletais em larvas e adultos de meliponinos.
  2. Atualizar a regulamentação de pesticidas na América Latina para incluir avaliações de risco específicas para os meliponinos.
  3. Promover a conscientização pública e agrícola, destacando a importância desses polinizadores na biodiversidade e na segurança alimentar.
  4. Fomentar a cooperação científica regional, liderada por redes como a Sociedade Latino-Americana de Pesquisa em Abelhas (SoLatInA), que trabalha na conservação das abelhas nativas.

Proteger os meliponinos não apenas preservará a biodiversidade, mas também garantirá a sustentabilidade da produção agrícola e a segurança alimentar em regiões tropicais.

Algumas particularidades das abelhas

As abelhas são insetos que possuem características particulares como:

  • Exoesqueleto: As abelhas possuem um escudo externo duro chamado exoesqueleto.
  • Olhos: Esses insetos possuem dois olhos compostos nas laterais da cabeça e três olhos simples na parte superior.
  • Asas: Possuem dois pares de asas que se movem de forma sincronizada durante o voo.
  • Divisão do trabalho: As abelhas eussociais, ou seja, com níveis de organização social, como as abelhas melíferas, possuem uma divisão do trabalho reprodutivo.
  • Funções: são polinizadoras, produzem mel, própolis e geleia real, sendo essenciais para a diversidade das plantas.
  • Tipos de abelhas: A abelha rainha é a única fêmea fértil da colônia e é responsável por colocar os ovos, enquanto o zangão é responsável por fecundar a rainha. Por sua vez, a abelha operária desempenha várias tarefas, como limpar a colmeia, alimentar as larvas, construir os favos, vigiar a entrada da colmeia, entre outras.

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