A Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem (WCS pela sua sigla em inglês) solicitou a adoção da proposta apresentada pelo Governo da República Democrática do Congo (RDC) para incluir o ocapi (Okapia johnstoni) no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES).
Se aprovada, a medida proibiria todo comércio internacional de ocapis ou suas partes, concedendo a esta espécie o máximo nível de proteção internacional. Atualmente, o ocapi já conta com proteção nacional na RDC, mas a pressão do comércio ilegal e a perda de habitat tornam necessária uma ação global.
A proposta na COP20 da CITES
A iniciativa será examinada pelos 185 governos membros da CITES durante a CoP20, que será realizada de 24 de novembro a 5 de dezembro de 2025 em Samarcanda, Uzbequistão.
“A reduzida e decrescente população do ocapi, juntamente com sua área de distribuição cada vez mais restrita, o tornam excepcionalmente vulnerável”, declarou a Dra. Susan Lieberman, vice-presidente de Política Internacional da WCS. “A inclusão no Apêndice I contribuirá para garantir a proteção do ocapi para as gerações futuras. Solicitamos a todas as Partes da CITES que votem a favor da Proposta 5”.
O ocapi: um tesouro único da RDC
O ocapi é o único parente vivo da girafa e é encontrado exclusivamente nas florestas da RDC. Sua sobrevivência está ameaçada por:
- Caça furtiva.
- Comércio ilegal de espécies selvagens.
- Perda de habitat devido ao desmatamento e atividades extrativas.
Sua inclusão no Apêndice I da CITES representaria um passo decisivo para reforçar a aplicação da lei e protegê-lo da sobreexploração.

Apoio científico e conservação em andamento
A proposta é apoiada pelo status de Em Perigo na Lista Vermelha da UICN e por dados do Institut Congolais pour la Conservation de la Nature (ICCN) e seus parceiros.
Por mais de 30 anos, WCS e ICCN têm trabalhado juntos na Reserva de Fauna Okapi (OWR), um local declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO com uma extensão de 14.000 km², que abriga a maior população de ocapis do planeta e outras espécies ameaçadas.
O ocapi também habita o Parque Nacional Lomami, o Parque Nacional Maiko e outras áreas protegidas da bacia do Congo.
“Para os habitantes da floresta de Ituri, o ocapi não é apenas um símbolo nacional, mas também uma fonte de orgulho e identidade”, afirmou o Dr. Jean Paul Kibambe, diretor da WCS na RDC.
O papel da CITES na proteção global
Na COP20, a WCS apoiará diversas propostas para fortalecer a proteção de espécies em perigo, incluindo:
- Todas as iguanas de Galápagos.
- Calaus africanos.
- Tartarugas de coxa.
- Enguias.
- Mais de 70 espécies de tubarões e raias.
Ao mesmo tempo, se oporá a iniciativas que busquem reabrir o comércio de marfim de elefante ou chifres de saiga, atualmente proibidos pela CITES.
A WCS, presente em todas as Conferências das Partes desde a CoP7 em 1989, enviará uma equipe de especialistas a Samarcanda para fornecer recomendações baseadas na ciência e apoiar governos, povos indígenas e comunidades locais na regulação do comércio de fauna selvagem.
A proposta de incluir o ocapi no Apêndice I da CITES representa um passo crucial para garantir a sobrevivência desta espécie única e emblemática da RDC.
O apoio internacional não só protegerá o ocapi da exploração comercial, mas também reforçará o trabalho de conservação que comunidades locais, cientistas e organizações têm realizado há décadas.
A COP20 será uma oportunidade histórica para que o mundo reconheça que proteger o ocapi é proteger a biodiversidade, a identidade cultural e a resiliência dos ecossistemas do Congo.



