Em um movimento audacioso, ativistas invadiram em 15 de março a Ridglan Farms, um centro de criação e pesquisa localizado em Wisconsin, para liberar vários cães beagle.
O escritório do xerife do condado de Dane confirmou que houve prisões e que alguns dos cães foram recuperados, embora outros continuem desaparecidos.
Esta ação ocorre quando Ridglan tem um prazo crucial no horizonte: 1º de julho de 2026, data em que deverão renunciar à sua licença estadual de criação como parte de um acordo para evitar acusações criminais.
Apesar deste pacto, a instalação não fechará completamente, o que deixa no ar o futuro de milhares de cães que poderiam permanecer lá.
O xerife do condado de Dane relatou que entre 50 e 60 pessoas entraram sem permissão, com alguns manifestantes acessando as instalações para liberar os cães.
Cerca de 20 prisões foram realizadas, e o xerife Kalvin Barrett enfatizou seu foco na segurança de todos os envolvidos.
A quantidade exata de beagles resgatados ainda é confusa. Os organizadores do evento afirmaram que libertaram 31 cães, embora oito tenham sido interceptados pela polícia.
O xerife confirmou recuperações parciais, mas reconheceu que vários animais ainda permanecem sem localizar.
Ridglan Farms não é um abrigo, mas um fornecedor de beagles para pesquisa biomédica. Sob a supervisão do regulador estadual DATCP e do Departamento de Agricultura dos EUA, a instalação tem sido alvo de críticas por parte de organizações de bem-estar animal que questionam as condições de vida dos cães.
beagles de Ridglan Farms
Anteriormente, o DATCP havia apontado Ridglan por 308 acusações relacionadas ao tratamento inadequado dos cães e outras três por falta de controles de saúde diários, propondo uma multa civil de 55.000 dólares.
Spectrum News informou sobre um possível crime grave relacionado a cirurgias de “cherry eye” realizadas sem anestesia geral, o que foi questionado pela Junta de Exame Veterinário e DATCP. Vídeos da investigação mostraram gaiolas de arame e comportamentos repetitivos indicativos de estresse.
O prazo de 1º de julho de 2026 marca um ponto decisivo. Embora Ridglan deva entregar sua licença, ainda pode dispor dos cães restantes.
Segundo as estimativas, haveria entre 2.000 e 2.500 beagles na instalação, e o destino desses animais continua incerto.
Este caso ressoa com outras ações nos Estados Unidos, como a histórica entrega de mais de 4.000 beagles da Envigo na Virgínia em 2022. A empresa enfrentou multas significativas por violações da Lei de Bem-Estar Animal e da Lei de Água Limpa.
Na Espanha, as organizações AnimaNaturalis e FAADA continuarão o diálogo sobre supervisão animal com o julgamento do caso Vivotecnia previsto para maio de 2026, após o escândalo de 2021.
A situação em Ridglan Farms convida a refletir sobre a supervisão e o bem-estar animal. Quem vigia e o que acontece quando a vigilância falha?



