Elefantes-marinhos em Chubut: WCS alerta sobre o impacto da gripe aviária e solicita um censo urgente na Península Valdés

A organização WCS Argentina advertiu que os elefantes-marinhos-do-sul passaram a ser uma “população vulnerável” após a perda de 97% das crias na temporada de 2023 devido à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, promovem um censo urgente na Península Valdés e outros setores de Chubut para outubro de 2026.

Julieta Campagna, coordenadora de conservação da paisagem Valdés, destacou: “A gripe aviária evidenciou a fragilidade da vida selvagem, impactou de forma dramática em uma população que se encontrava saudável”.

Antecedentes e censos anteriores

O último censo completo foi realizado em 2022 e registrou um crescimento constante próximo a 1% anual, com cerca de 18 mil crias nascidas. No entanto, a epidemia mudou abruptamente o cenário em 2023.

Desde então, a WCS Argentina realizou contagens parciais em 2024 e 2025, confirmando uma redução acentuada de exemplares na costa de Chubut.

Distribuição da espécie

A população de elefantes-marinhos se concentra em três setores costeiros:

  • Península Valdés (Área Natural Protegida).
  • Punta Ninfas / Bajo de los Huesos.
  • Isla Escondida.

Trata-se da única colônia reprodutiva continental e de latitude temperada da espécie no hemisfério sul. A cada primavera e verão, os animais retornam para se reproduzir e mudar a pele, em períodos de jejum que os tornam mais sensíveis.

Como é realizado o censo

O censo deve ser realizado nas primeiras semanas de outubro, coincidindo com o pico reprodutivo. São coletados dados demográficos, estrutura social e localização dos haréns mediante:

  • Contagens terrestres.
  • Contagens aéreas com drones.

Esses dados permitem registrar tendências de abundância e distribuição, detectar mortalidade anormal e ajustar hipóteses sobre os tempos de recuperação após a epidemia.

Elefantes marinhos
A organização WCS Argentina alerta sobre a vulnerabilidade dos elefantes-marinhos.

Obstáculos para o monitoramento

A WCS Argentina advertiu que o acesso a áreas-chave se tornou mais difícil desde 2022, já que muitos setores estão em campos privados e alguns proprietários deixaram de conceder permissões de pesquisa.

Valeria Falabella, diretora de conservação costeiro-marinha da WCS, pediu apoio das autoridades e proprietários para realizar o censo completo em 2026.

Importância da nova contagem

Os resultados de um censo integral fornecerão insumos para:

  • Desenhar estratégias de conservação dentro e fora da Área Natural Protegida.
  • Orientar o manejo precaucionário de atividades turísticas e recreativas em zonas como Punta Ninfas e Isla Escondida.
  • Aplicar a lei provincial XI N° 92 (aprovada em 2025), que reforça a conservação da espécie em toda a costa de Chubut.

Trajetória da WCS Argentina

Desde os anos 80, a WCS Argentina desenvolve pesquisas sobre abundância, distribuição e estado de conservação dos elefantes-marinhos na Península Valdés. Suas equipes elaboram relatórios técnicos para autoridades provinciais e promovem censos e monitoramentos sustentados, buscando resguardar uma espécie emblemática do Mar Argentino.

A crise provocada pela gripe aviária expôs a vulnerabilidade dos elefantes-marinhos em Chubut.

O censo previsto para outubro de 2026 será crucial para conhecer a magnitude do impacto, desenhar medidas de conservação e garantir a sobrevivência de uma espécie que faz parte do patrimônio natural do país.

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