Elas também desejam um pouco de carinho: as orcas e um gesto surpreendente na natureza.

No gelado mar dos fiordes noruegueses, um grupo de orcas selvagens foi registrado em uma cena incomum: **dois exemplares adultos compartilharam um contato bucal prolongado**, semelhante a um “beijo de língua”. Esta descoberta oferece uma nova perspectiva sobre [a complexidade social](https://noticiasambientales.com/animales/sorprendente-hallazgo-en-el-mar-las-orcas-crean-herramientas-con-algas-para-acicalarse-entre-si/) desses cetáceos.

O comportamento incomum foi documentado durante uma expedição submarina e **representa a primeira vez que é observado em liberdade**. Até agora, a “mordida de língua” havia sido registrada apenas em orcas em cativeiro humano, o que **torna esta gravação um fato excepcional**.

A interação durou quase dois minutos e **incluiu três episódios de contato suave, face a face**. Longe de ser apenas uma anedota, os pesquisadores consideram isso como um indício de laços sociais avançados e de um comportamento possivelmente relacionado à comunicação ou ao jogo.

## Uma linguagem submarina ainda em código

Os comportamentos de contato oral entre animais **costumam estar associados ao fortalecimento de laços**, à expressão de confiança ou até mesmo à aprendizagem social. No caso das orcas, **altamente inteligentes e sociais**, esse gesto pode cumprir várias funções ecológicas e evolutivas ao mesmo tempo.

A cena documentada na Noruega **fornece novas pistas sobre como as orcas se comunicam e se relacionam fora do contexto predador pelo qual são conhecidas**. Além disso, reforça a ideia de que seu comportamento em liberdade é tão complexo quanto o exibido em cativeiro.

Este achado se soma a outros registros recentes de **orcas realizando ações incomuns**, como colocar objetos na cabeça. Algumas teorias sugerem que certos comportamentos podem se espalhar dentro dos grupos sociais, como uma espécie de “moda” animal.

## Repensar nossa relação com os grandes cetáceos

Para além do espanto gerado por esse tipo de interação, o registro também destaca a importância de [conservar os ambientes marinhos](https://noticiasambientales.com/turismo/polemica-sin-regulacion-en-mexico-turistas-llegan-a-baja-california-sur-para-nadar-con-orcas-salvajes/) onde essas espécies se desenvolvem. As orcas enfrentam **múltiplas ameaças**, desde a **poluição acústica** até a **escassez de alimentos**.

Compreender seu comportamento em liberdade **é fundamental para garantir políticas de proteção mais eficazes**. Nesse sentido, cada avistamento documentado é uma peça fundamental para conhecer melhor esses mamíferos marinhos e promover sua preservação a partir de um olhar empático e respeitoso com o ambiente.

O gesto de duas orcas nos fiordes do Ártico norueguês é muito mais do que uma raridade. É um convite para **olhar com novos olhos a vida submarina** e reconhecer que, mesmo nas profundezas mais frias do planeta, os laços emocionais também podem florescer.

O carinho entre as orcas não é nada novo, de acordo com os estudos. Foto: DW/Almunia, J., et al / Oceans.
O carinho entre as orcas não é nada novo, de acordo com os estudos. Foto: DW/Almunia, J., et al / Oceans.

## Animais com comportamentos incomuns

As orcas, também conhecidas como “baleias assassinas”, são na verdade os maiores golfinhos do planeta e **se destacam por sua notável inteligência e vida social complexa**. Vivem em grupos familiares chamados de manadas ou pods, onde desenvolvem fortes laços, aprendem uns com os outros e cooperam para caçar de forma estratégica. Cada grupo pode ter vocalizações próprias, como um dialeto cultural transmitido entre gerações.

Seu comportamento inclui **brincadeiras, cuidado compartilhado dos filhotes, comunicação sonora sofisticada e rituais sociais**, o que demonstra uma estrutura de relacionamentos semelhante à dos primatas. Observou-se orcas ensinando a caçar para suas crias, compartilhando alimentos e demonstrando comportamentos de luto diante da morte de um membro do grupo, o que reforça a ideia de uma consciência emocional complexa.

Além disso, certos comportamentos incomuns, como **carregar peixes na cabeça ou a recente “mordida de língua”**, sugerem que algumas ações podem ser aprendidas e replicadas como parte de uma cultura social. Essas observações continuam ampliando nosso conhecimento sobre a vida marinha e destacam **a necessidade de proteger os habitats naturais** onde esses mamíferos desenvolvem seus laços e habilidades.

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