Activistas da organização Igualdad Animal manifestaram-se em frente ao Congresso dos Deputados em Madrid, Espanha, para exigir o fim da alimentação forçada na produção de foie gras. Eles buscaram mostrar aos partidos políticos seu apoio a uma Proposição não de Lei (PNL).
A PNL, apresentada pelo Grupo Parlamentar Sumar, será debatida na Comissão de Agricultura do Congresso nas próximas semanas.
Esta proposta legislativa insta o Governo a realizar uma consulta pública para avaliar se a alimentação forçada é compatível com os relatórios científicos, o quadro legal e a consciência cidadã. Busca-se que o processo culmine na proibição total de uma prática já qualificada como cruel.
Além disso, a iniciativa pede à União Europeia que revise as normativas de comercialização que obrigam os fígados de patos e gansos a alcançar um peso mínimo.

Foie gras: alimentação forçada e a crueldade de uma prática controversa
A cada ano na Espanha, cerca de um milhão de patos e gansos são submetidos à alimentação forçada. Segundo denúncia da organização, durante suas últimas semanas de vida, eles são obrigados a ingerir até dois quilos de massa de milho por dia através de tubos.
Esse processo faz com que seus fígados se expandam até dez vezes o tamanho normal, causando um grande sofrimento aos animais.
A alimentação forçada é considerada pela Igualdad Animal uma das práticas “mais cruéis da indústria alimentar”. Algo que também foi extensamente documentado em suas recentes investigações.
Mesmo com relatórios científicos desaconselhando, Espanha, juntamente com França, Hungria, Bulgária e parte da Bélgica, é um dos poucos países da UE que ainda a permitem.
Avanços legais e falta de controle
A recente sentença do Tribunal Supremo (STS 298/2025), que reconheceu a senciência de patos e gansos, estabeleceu um importante precedente legal. Esta decisão marcou um ponto de virada ao interpretar os animais de consumo não como meros bens de produção, mas como seres capazes de sentir.

Apesar de normativas como a Diretiva Europeia 98/58/CE e leis espanholas (Lei 32/2007 e Real Decreto 637/2021) proibirem o sofrimento desnecessário em animais de fazenda, o Governo espanhol ainda não tomou medidas legislativas para acabar com essa prática.
Segundo eles, os dados revelam um “sistema de controle ineficaz“, com poucas inspeções anuais. Alegam ainda que cada fazenda poderia ser inspecionada, em média, apenas uma vez a cada quatro décadas.
Nesse sentido, é enfatizado que a inspeção não é suficiente, e a única solução parece ser a proibição.
Por outro lado, em outubro de 2024, a Igualdad Animal entregou mais de 100.000 assinaturas no Congresso expondo que a sociedade espanhola rejeita majoritariamente essa prática.



